Mãe de aluna autista culpa direção de colégio por omissão de socorro
Mãe de estudante com autismo e epilepsia acusa a direção do Colégio Estadual Rocha Pombo de omissão durante crise convulsiva; diretor nega e o NRE afirma que os protocolos foram seguidos.
O Colégio Estadual Rocha Pombo, situado no bairro Thomaz Coelho, é alvo de uma denúncia feita pela mãe de uma aluna de 12 anos, que possui diagnóstico de autismo, deficiência intelectual e epilepsia. A responsável acusa a atual gestão da instituição de omissão de socorro durante uma crise convulsiva enfrentada pela estudante.
Indignada com o ocorrido, a mãe registrou uma reclamação na Ouvidoria da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) e lavrou um boletim de ocorrência na delegacia local, aguardando, agora, um posicionamento oficial da escola sobre as medidas administrativas que serão adotadas.
Segundo o relato da mãe, o caso ocorreu no dia 5 de agosto, quando a filha sofreu uma crise convulsiva nas dependências do colégio. Ela afirma que o diretor se recusou a acionar SAMU ou prestar qualquer auxílio. O socorro foi acionado por professoras de apoio, que também avisaram a família e prestaram assistência à criança durante o atendimento.
Ao chegar ao local, a mãe descreveu ter encontrado o diretor imóvel e, segundo seu relato, agindo de forma desrespeitosa. “Vi o diretor de braços cruzados e, aparentemente, rindo da situação. Ao questioná-lo sobre o motivo do riso, ele fez gestos que interpretei como uma provocação para briga. Diante do desespero ao ver o estado crítico da minha filha, perdi o controle e precisei ser contida”, declarou.
Ela relata, ainda, que a filha permaneceu internada e recebeu um atestado médico de dez dias, com previsão de retorno para esta semana. No entanto, a aluna não pôde retomar as atividades devido à ausência de respostas do colégio e da SEED sobre o episódio. “Como posso mandar minha filha para a escola, sabendo que ela possui epilepsia refratária e pode ter crises a qualquer momento, e que a instituição está despreparada para lidar com a situação?”, questionou a mãe.
O diretor do Colégio Rocha Pombo, Alexsandro, afirmou ter sofrido agressões por parte da mãe, negando qualquer recusa em prestar socorro à estudante. Ele relata que estava em seu segundo dia na direção e ainda se inteirava das rotinas quando a aluna sofreu a crise convulsiva. Embora não estivesse presente no momento exato, as professoras de apoio agiram prontamente e acionaram o socorro; uma delas, inclusive, possui formação em enfermagem e prestou assistência até a chegada do SAMU.
“Ao ser avisado, fui até o local, mas como o atendimento de emergência já estava sendo realizado, priorizei um problema urgente que acontecia com outros alunos naquele mesmo instante. Depois retornei e acompanhei a saída da ambulância pelo portão, que estava quebrado, momento em que fui abordado pela mãe de forma agressiva. Compreendo o estado emocional dela e, por recomendação do Núcleo Regional de Educação, optamos por não registrar boletim de ocorrência, visando preservar a integridade da mãe e da aluna. Contudo, todos os fatos foram devidamente documentados em ata”, explicou o diretor Alex.
O Núcleo Regional de Educação (NRE) da Área Metropolitana Sul, que também foi procurado pela nossa reportagem, informa que a direção do Colégio Estadual Rocha Pombo adotou os procedimentos previstos pelos protocolos da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR).
“Durante o episódio, houve a intervenção de profissionais da instituição, entre eles a professora de Atendimento Educacional Especializado e integrantes da equipe de Educação Especial, que auxiliaram no atendimento à estudante. O SAMU foi acionado e a estudante recebeu atendimento. O NRE acompanha a situação envolvendo a estudante. O caso também foi encaminhado à Ouvidoria do NRE, que dará continuidade aos procedimentos de sua competência”, explica o Núcleo.
Edição n.º 1946
