Moradores estão na bronca com estragos provocados por empreiteira

Moradores estão indignados com os transtornos. Foto: divulgação
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Moradores estão na bronca com estragos provocados por empreiteira
Moradores estão indignados com os transtornos. Foto: divulgação

 

As obras de infraestrutura estão na lista das mais importantes para uma cidade, mas também são as que costumam gerar mais incômodos. Até chegar o tão esperado asfalto, por exemplo, é preciso aguentar meses de barulho, sujeira e transtornos e, é claro, muita paciência dos moradores do entorno. Mas para os moradores do bairro Barigui, a paciência chegou ao limite. Eles não aguentam mais tanta bagunça provocada pela empreiteira que está fazendo o asfalto em algumas ruas do bairro. Pra piorar, a convivência com os funcionários da empresa não tem sido nada fácil.

Segundo a moradora Tatiane, a bronca começa com o prazo da obra, que se prolonga por cerca de um ano, indo além do tempo previsto. Outro problema está na destruição que as máquinas fizeram na frente das casas, estragaram jardins, impedindo os moradores de utilizarem suas garagens.

“Estamos com dificuldade de sair de nossas casas, e não podemos sair com os carros porque atolamos na lama. Conversamos com os funcionários da empreiteira para, pelo menos, arrumarem um pouco a frente das asas para que possamos sair e entrar, mas eles nos tratam mal, fazem pouco caso do problema. Pedimos ajuda a um vereador, que esteve aqui, disse que nos ajudaria, também chegou a vir um engenheiro, que conversou com a gente, mas não deu em nada. Com as chuvas dos últimos dias, a lama tomou conta da minha rua, a José Besciak, e virou um caos”, disse. A moradora reiterou a importância do asfalto, uma obra tão aguardada pela comunidade, mas lembrou que há maneiras de não prejudicar tanto os moradores durante os serviços, como a colocação de cascalho pelo menos no acesso as residências. “Já fiz uma reclamação formal nos órgãos competentes da Prefeitura e eles responderam que enviariam um engenheiro ao local para as devidas providências com relação ao barro nas entradas das casas, e ainda pediram desculpas pelos transtornos”, acrescentou.

O morador Antônio também está incomodado com a situação e diz não entender porque a obra está demorando tanto, já que o asfalto está sendo feito em apenas três ruas, de curta extensão. “Agradecemos pela nossa reivindicação de tantos anos ter sido atendida, mas não podemos aceitar essa sujeira toda e o descaso da empreiteira para com os moradores. Aqui na rua José Besciak a situação está complicada, o que não vejo acontecer nas demais ruas que estão em obras. Acho que eles estão fazendo mais do que deveriam, danificaram manilhas antigas e estão colocando outras por cima, que no meu ver não teria necessidade. Não sei se isso vai dar certo. Um vereador esteve aqui, garantiu que não iriam mexer na frente das casas, mas não foi o que aconteceu”, denunciou.

Irritado, o morador Ari chegou a gravar um vídeo mostrando a troca de manilhas, alegando que a empreiteira está fazendo uma gambiarra e há risco de a água invadir as casas se chover muito. “Estão fazendo emendas de manilhas, adaptando canos, não sei se isso está correto”, pontuou. Da mesma forma o casal Rosângela e Marcelo dizem estar sofrendo consequências com a demora da obra. “Além do barro, da poeira e da destruição na frente das casas, quando estão trabalhando eles desligam a água e já chegamos a ficar até dois dias sem fornecimento, isso sem contar que a pressão nos canos diminuiu. Chegamos no limite da paciência”, criticaram.

Além da José Besciak, os moradores citaram problemas nas ruas Aguinelo Pinto, Vergílio Cantele, Mario Czaikoski, Emílio Gunha e Joana Geraldello.

Esclarecimentos

Segundo a Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP), a pavimentação de ruas no bairro Barigui começou em 27 de abril de 2018 e o prazo para conclusão é 23 de abril deste ano. O valor total da obra será de R$ 1.640,186,49 e envolve a pavimentação de vias urbanas em CBUQ, 10.509,77 m2, incluindo os serviços preliminares, terraplenagem, base e sub-base, revestimento, meio-fio e sarjeta, paisagismo e urbanismo, sinalização de trânsito, drenagem, ensaios tecnológicos e placas de comunicação visual, executados pela Empresa Trasacon Saneamentos e Construções LTDA EPP.

A SMOP explicou ainda que mantém contato diário com os moradores da região, inclusive realizou uma reunião onde alguns deles participaram, relataram os problemas inerentes da obra e tiraram algumas dúvidas a respeito. Mesmo assim, orientou que as reclamações devem ser realizadas na SMOP ou no site da Prefeitura Municipal de Araucária, via Ouvidoria.

Com relação aos transtornos, a secretaria informou que está fazendo o possível para diminuir os impactos gerados pela obra, e que o período chuvoso atrapalha o andamento dos serviços.

Falta de segurança no bairro também é um problemão

Os moradores do bairro Barigui não estão preocupados apenas com as consequências deixadas pelas obras de pavimentação, a falta de segurança também tem tirado o sossego da comunidade. Eles lamentam que por ser um bairro afastado do Centro, acaba sendo esquecido e, por isso, os serviços essenciais nem sempre chegam. “Aqui tem acontecido muitos arrombamentos, assaltos nas ruas, vivemos com a sensação de insegurança. Muitos vizinhos colocaram grades, alarmes, cercas elétricas, mas nada disso se compara a um policiamento mais ostensivo”, comentou um morador.

Outra moradora lembrou que o Barigui é um bairro pequeno, não dá acesso a outros bairros, dessa forma, qualquer pessoa estranha que circule pelas ruas deixa a comunidade apreensiva. “Vivemos com medo e precisamos de mais atenção das forças policiais”, sugeriu.

“Já fui assaltado três vezes, a mão armada, e só estou vivo por obra de Deus, pois no último assalto o bandido acionou o gatilho duas vezes apontando para minha cabeça, mas graças a Deus a arma falhou. Já questionamos o porquê de não colocarem um posto da Polícia Militar ou da Guarda Municipal nas duas salas vazias do Portal Polonês”, sugeriu.

Sobre o problema, a Guarda Municipal adiantou que vai marcar uma reunião com os moradores para propor soluções. “Mas já adianto, que a GMA não usa módulos fixos, ainda mais no portal, até por uma questão de logística. Guarda parado não pode sair para atender ninguém, é menos um, ou melhor, menos seis para atender as ocorrências”, esclarece o diretor da GMA, Antônio Edison dos Santos de Souza.

Já a Polícia Militar explicou que vai adotar algumas medidas para garantir a segurança dos moradores do bairro Barigui.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1152 – 28/02/2019