O banquete do Reino

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Muitas vezes, ao longo da nossa história como cristãos, ouvimos falar de Deus como alguém que castiga e que impõe medo e que condena afastando assim muitas pessoas da Igreja. Outros tantos continuaram e continuam até hoje professando a sua fé, mas ainda tem aquela imagem negativa, pautada mais na culpa, no medo do inferno, do que na graça e na misericórdia de Deus. É uma pena, porque a imagem que Jesus nos traz de Deus durante a sua vida pública aqui na terra, é totalmente diferente. Infelizmente a catequese, e mesmo a pregação de muitos padres, se afastou da boa nova pregada por Jesus e para impor uma fé, adotou um caminho não recomendável, distorcido e não saudável.

O evangelho pregado por Jesus durante os três anos da sua vida pública apresenta um Deus preocupado com a vida de todos, com a saúde, com a dignidade, com o pão na mesa de todas as famílias. Um Deus que vai ao encontro dos pecadores, propondo para eles a salvação. Que não veio para condenar, para se alegrar com a desgraça das pessoas e nem para vibrar com a destruição do ser humano. Pelo contrário, um Deus que se alegra e faz festa quando um pecador se arrepende e começa uma nova vida. Um Deus que sofre com aquele que se afasta do bom caminho, como uma ovelha perdida, e faz festa quando ela é encontrada. Um Deus que reúne os amigos para comemorar a volta do filho que estava morto e ressuscitou e que estava perdido e foi encontrado.

A melhor imagem do banquete do Reino é uma mesa repleta de carnes gordas, vinhos finos, onde existe partilha e abundância para todos. A festa é a característica essencial do Reino, onde existe alegria, diálogo, acolhida a todos, preocupação para que não falte nada para ninguém. O Deus de Jesus quer vida digna para todos os seres humanos e não somente para alguns privilegiados. Tudo é cercado pela alegria dos que estão reunidos, partilhando o pão, a amizade, a solidariedade, o perdão. Não existe lugar para gente com cara feia, mal humorada, que reclama e vê defeito em tudo. Neste banquete o que mais se vê são pessoas com rosto alegre, felizes e realizadas.

Esta é a proposta do Reino de Deus, um banquete regado com ricas iguarias, num clima de festa e de muita alegria. E é assim que deveria ser a nossa vida, como seguidores de Jesus. Quem encontrou o Deus de Jesus, mesmo vivendo entre dificuldades, adversidades, dores e sofrimentos, vive uma alegria que transborda e supera tudo isso. Vê a vida a partir da ótica da ressurreição e não da sexta-feira santa. O papa Francisco vai dizer que muitos cristãos nunca chegaram ao domingo da páscoa, pois pararam na dor da sexta-feira e a sua vida é só choro, reclamação, murmuração, sem esperança.

Cristão, seguidor do Deus de Jesus, é alguém que se caracteriza pela alegria, que brota desse encontro, que dá sentido e razão para a sua existência. Mesmo quando erra e se desvia e se afasta do bom caminho, sente que o amor de Deus o perdoa e lhe dá uma nova oportunidade. Um Deus cheio de ternura, de compaixão, de misericórdia, que faz festa quando alguém deixa as vias tortuosas, e começa a viver pautado pelos valores do evangelho. Às vezes temos dificuldades de aceitar essa realidade, sobretudo, quando nos julgamos melhores do que os outros. Como se nós já estivéssemos salvos e aqueles condenados. O Deus que Jesus prega quer a salvação de todos. Quer nos ver alegres com a conversão do pecador. Quer que todos nós participemos do banquete do Reino já aqui na terra e um dia na glória eterna.

Publicado na edição 1233 – 08/10/2020

O banquete do Reino
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