O que preciso saber sobre o El Niño e como devo me proteger?
Fenômeno provocará impactos nos padrões de precipitação e temperatura, elevando riscos de inundações, secas e calor extremo.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) para o clima e o tempo, atualizou as previsões acerca do fenômeno El Niño, indicando uma perspectiva de intensificação nos próximos meses. A entidade alertou para impactos significativos nos padrões de precipitação e temperatura, elevando os riscos de inundações, secas e eventos de calor extremo.
Segundo as projeções da OMM, há uma probabilidade próxima de 100% de que o fenômeno permaneça ativo até fevereiro de 2027. De acordo com a organização, esta é a primeira vez que um boletim informativo apresenta um consenso tão forte e evidente entre seus especialistas. A projeção do SIMEPAR – Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná é de 95%.
Causado pelo aumento das temperaturas na superfície do Oceano Pacífico, o fenômeno deverá se fortalecer nos próximos meses, atingindo intensidade severa antes de seu pico, previsto para o final de 2026, com efeitos que se estenderão ao longo de 2027.
O quadro é preocupante e exige atenção de toda a população. Então, se você é um daqueles que nunca acreditou em previsões climáticas, está mais do que na hora de mudar sua opinião.
No Sul do Brasil e no Paraná, o El Niño resulta no aumento do volume das chuvas e na ocorrência de tempestades severas, intensificando diretamente os riscos de desastres hidrológicos e geológicos, como enxurradas, alagamentos, inundações e deslizamentos de terra. E já estamos vendo isso acontecer!
O monitoramento constante das condições meteorológicas e a conscientização sobre os riscos são essenciais para reduzir vulnerabilidades e proteger vidas. Para auxiliar na sua segurança e preparar a população diante dessas ameaças climáticas, o Simepar preparou orientações específicas de prevenção e resposta para os principais desastres naturais associados ao El Niño.
Ventos e vendavais
Embora os dois estejam relacionados ao vento, vendavais e tornados são fenômenos diferentes. O vendaval é formado por ventos fortes que sopram em linha reta. A velocidade normalmente varia entre 54 km/h e 150 km/h e pode causar destelhamentos, queda de árvores, placas e interrupção do fornecimento de energia elétrica.
Já o tornado é uma coluna de ar que gira rapidamente, formando um funil. Os ventos podem ultrapassar 400 km/h e provocam uma trilha estreita de destruição, arrancando árvores pela raiz, destruindo casas e lançando objetos pelo ar. Durante a ocorrência desses fenômenos, fique longe das janelas; permaneça no cômodo mais interno da casa, como um banheiro ou corredor; se estiver ao ar livre e não houver abrigo, se deite no chão e proteja a cabeça.
Depois da tempestade, nunca toque em cabos elétricos caídos; se sentir cheiro de gás, saia do local imediatamente; não acenda fósforos, velas ou qualquer chama até ter certeza de que não há vazamentos.
Alagamentos e inundações
O alagamento acontece quando a água da chuva se acumula nas ruas porque o sistema de drenagem não consegue escoar adequadamente. A inundação ocorre quando rios, córregos ou canais transbordam depois de muita chuva.
Nesses casos, não atravesse ruas alagadas, mesmo que o nível da água esteja baixo, pois pode haver buracos escondidos ou galhos e outros objetos que podem causar ferimentos; jamais passe por pontes ou pontilhões cobertos pela água; se estiver em casa e houver tempo, coloque móveis e eletrodomésticos em locais altos; guarde documentos e remédios em sacos plásticos bem fechados.
Acompanhe o aumento do nível da água e saia antes que as rotas de fuga fiquem interditadas. Antes de sair, se for seguro, desligue a energia elétrica, feche o registro de água e do gás.
Depois da enchente, nunca consuma alimentos que tiveram contato com a água, pois ela pode transmitir doenças como a leptospirose.
Deslizamentos
Os deslizamentos acontecem quando grandes quantidades de terra, pedras e lama descem pelas encostas. Eles costumam ocorrer após chuvas intensas, quando o solo fica encharcado e perde a estabilidade.
Fique atento aos sinais que podem indicar a chance de um deslizamento: rachaduras nas paredes do imóvel; árvores ou postes inclinados; portas e janelas que deixam de fechar normalmente; e o surgimento de rachaduras no solo.
Em casos como esses, saia imediatamente do local; nunca espere para ver o que vai acontecer; avise outras pessoas que possam estar em risco e acione o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a Defesa Civil pelo 199.
Granizos
O granizo são pedras de gelo que se formam dentro das nuvens durante tempestades muito fortes. Quando ficam pesadas demais, elas caem e podem causar danos em telhados, veículos, plantações ou até machucar pessoas.
Como você deve agir durante uma chuva de granizo?
Procure um abrigo com cobertura resistente; fique longe das janelas e mantenha as cortinas fechadas; evite permanecer debaixo de telhados frágeis; se estiver em um carro, estacione em um local coberto. Caso não seja possível, pare em um local seguro, ligue o pisca-alerta e permaneça dentro do veículo até o temporal passar.
Depois que a tempestade terminar, só suba no telhado se ele estiver seco e seguro.
Diante desse cenário, é importante ainda, manter entre a população a cultura da prevenção. Por exemplo, as pessoas podem realizar a manutenção de telhados e limpeza de calhas domésticas para evitar danos por vendavais e granizo.
Edição n.º 1949
