Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) na manhã desta quarta-feira, 23 de setembro, em Araucária, Curitiba, Contenda e Fazenda Rio Grande, mirou um esquema que utilizava distribuidoras de bebidas como fachada para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

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Ao todo, 13 pessoas foram presas, sendo nove em cumprimento a mandados de prisão temporária e quatro em flagrante pela posse dos itens ilícitos apreendidos. Segundo a Delegacia de Araucária, todos os mandados de prisão foram cumpridos em Araucária. Cinco pessoas não foram localizadas e são consideradas foragidas.

A operação, que contou com o apoio da Polícia Militar, ainda cumpriu 33 mandados de busca e apreensão. Nos endereços, foram apreendidas munições calibre 9mm, que é de uso restrito, uma espingarda, 200 porções de cocaína e R$ 23 mil em espécie.

As investigações iniciaram em 2025, após o registro de boletins de ocorrência e denúncias sobre um esquema de tráfico praticado em Araucária. A polícia apurou que os indivíduos utilizavam cinco estabelecimentos comerciais para ocultar a venda de drogas, além de realizar delivery para a entrega dos entorpecentes.

“Identificamos que as distribuidoras costumavam utilizar duas máquinas de cartão, sendo uma para a venda lícita das bebidas e outra para a venda das drogas. A primeira movimentava valores normais para comércios daquele tipo, enquanto a última chegava a movimentar cerca de R$ 20 mil por dia”, explica o delegado Gabriel Fontana.

A PCPR verificou que o uso de dois aparelhos também era uma forma de combinar valores legais e ilícitos e ocultar sua origem, visando a lavagem de capitais. Desta forma, desde 2025, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 5 milhões.

Ao longo das investigações, a PCPR contou com diversas coletas de informações in loco realizadas por equipes da PMPR na região. “Essas informações foram compiladas pela Polícia Civil e a inteligência da Polícia Militar por meio de estudo aprofundado de casos específicos e levantamento de dados, tornando possível desencadear a operação na data de hoje (23)”, afirmou o 2º Tenente Satler.

Cartão fidelidade

O delegado Gabriel Fontana explicou que a ação desta quarta-feira converge, em determinado momento, com a operação “Cartão Fidelidade”, que investiga um grupo criminoso especializado na comercialização de entorpecentes via delivery. As 18 pessoas investigadas nesta operação foram denunciadas pelo Ministério Público do Paraná, por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Araucária. O grupo é acusado da prática dos crimes de associação para o tráfico, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

A investigação desarticulou uma organização que promovia a venda ilícita de entorpecentes na modalidade de entrega em domicílio, via aplicativo de mensagens, operando sob o nome fantasia Bob TV ou Pão de Queijo do Tio Bob. A estrutura ilícita contava com a distribuição de cartões físicos de fidelização com carimbos para os usuários.

A fase ostensiva da operação, deflagrada em 19 de agosto de 2026, resultou na apreensão de estoques de entorpecentes do grupo, incluindo mais de 73 quilos de maconha, além de comprimidos de ecstasy, cocaína e haxixe.

“As investigações apontam que ambas as operações possuem conexões financeiras, visto que os recursos ilícitos eram direcionados aos mesmos beneficiários”, pontua Fontana.

Policial envolvido

Entre os denunciados, está um policial militar acusado de corrupção passiva e lavagem de bens e valores. Segundo a denúncia, ele recebia vantagens financeiras indevidas dos líderes do esquema para fornecer informações privilegiadas sobre investigações, realizar consultas não justificadas em sistemas restritos de segurança e facilitar as rotas de distribuição do narcotráfico.

O MPPR apurou que o policial movimentou mais de dois milhões de reais em suas contas, valor totalmente incompatível com seus rendimentos como servidor público, tendo utilizado parte do dinheiro ilícito, recebido em repasses diretos, para adquirir um imóvel à vista no bairro Capela Velha.

O Ministério Público requereu a suspensão cautelar do exercício da função pública do agente policial, além da decretação da perda do cargo em caso de condenação.

Para dissimular a origem do dinheiro do tráfico, a organização operava uma complexa rede de lavagem de capitais, utilizando contas bancárias de terceiros e empresas de fachada para integrar os recursos ilícitos à circulação econômica formal. Diante disso, o MPPR também solicitou ao Judiciário a suspensão das atividades de uma das empresas utilizadas no esquema de mescla de capitais ilícitos e lícitos.

Além das condenações pelos crimes cometidos, a Promotoria de Justiça requer a fixação de um valor mínimo para a reparação dos danos morais coletivos causados pela atuação da organização criminosa em Araucária, bem como a manutenção da prisão preventiva dos réus que já se encontram detidos, visando à garantia da ordem pública e a interrupção definitiva das atividades da organização.

A partir dessas operações, a Polícia Civil aprofundará as investigações no sentido de identificar a liderança do esquema criminoso.

Edição n.º 1951

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