Padre André Marmilicz: A família de Jesus

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Foto: Divulgação
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Jesus provavelmente viveu até os 30 anos na cidade de Nazaré. Depois desceu até Cafarnaum, às margens do mar da Galileia, onde desenvolveu toda a sua missão. A pregação de Jesus tocou profundamente nas pessoas, tanto no bom como no mal sentido. O povo mais simples, humilde, os pecadores, vibravam com a boa nova do Reino. Ele realmente tocava os seus corações, trazendo vida e esperança. Por outro lado, os escribas, os fariseus, aqueles que se julgavam os detentores do mundo espiritual, criticavam fortemente todas as ações de Jesus. Claramente, a sua mensagem, o seu evangelho, não ia de encontro com as normas, com as leis, com o que eles falavam sobre Deus. Jesus, com seu jeito meigo e compassivo, acolhia a todos, mas, de modo preferencial, os pobres e os mais sofredores da sociedade. Esses, pelo contrário, eram excluídos e rejeitados pelos fariseus, porque considerados pecadores.

A notícia sobre as ações de Jesus chegou aos ouvidos daqueles que tinham convivido com ele em Nazaré. Desceram então até Cafarnaum para se encontrar com Jesus, pois, estavam confusos e até diziam que ele estava fora de si. Quando ali chegaram, souberam que o Mestre estava evangelizando em um determinado local. Ao chegarem ali, chamaram alguém para avisar a Ele que a sua família estava a sua procura, seus irmãos e sua mãe. Quando ele foi comunicado sobre a vinda de seus familiares de sangue, respondeu: ‘quem é minha mãe? Quem são meus irmãos? São todos aqueles que fazem a vontade de Deus’.

Jesus claramente inicia uma nova vida, construindo uma nova família, a família dos filhos e filhas de Deus. E o que significa fazer a vontade de Deus, para tornar-se membro dessa família? Jesus mesmo nos dá a resposta, através de suas palavras, seus gestos e suas ações. Ou seja, procurar viver de acordo com os ensinamentos do Mestre, que veio, acima de tudo para servir e não para ser servido. O modo de ser e de viver de Jesus deveria ser a partir de agora a condição para pertencer à sua família. E o jeito de ser do mestre dos mestres é carregado de amor, de ternura, de misericórdia, de compaixão, especialmente para com os mais sofridos e abandonados da sociedade. Ele vai ao encontro daqueles que sofrem, os doentes, os pecadores abandonados e julgados pelos fariseus, os pequenos e humildes. Fazer parte dessa família significa comungar dessa mesma missão, dessa mesma proposta de vida, onde todos são acolhidos e tratados com profunda dignidade.

Fazer parte da família dos filhos, irmãos, pais e mães hoje, significa comungar do mesmo projeto proposto por Jesus. Na medida em que tratamos a todos com dignidade, nos colocamos numa atitude de solidariedade com os que sofrem, que somos capazes de partilhar com os outros, e somos empáticos com o sofrimento dos irmãos, podemos dizer que somos da família de Jesus. Ele veio para que todos tenham vida e, hoje, convida a cada um de nós a ser no meio do mundo, um instrumento do seu amor. Quem pensa somente em si mesmo, de modo intimista, sem se preocupar com a dor do próximo, certamente não faz parte dessa família. Mas, quem se abre ao outro, se preocupa com sua vida, busca um meio de ajudar, vive o amor e a solidariedade, está pronto para servir, certamente compreendeu o que significa ser da família do Mestre Jesus.