Na quinta-feira santa Jesus nos apresentou o seu testamento, aquele que todos os seus seguidores devem se dispor a seguir. Ele inicia dizendo: ‘eu vos dou’. Poderíamos imaginar que ele pudesse nos dar bens materiais, riquezas, prosperidade, enfim, coisas, mas ele completa dizendo: ‘um novo mandamento’. E que mandamento é esse? ‘Amai-vos uns aos outros como eu vos amei’. É esse o último pedido de Jesus antes de ser preso e morto na cruz. O que ele nos deixa é a exigência da vivência do amor, assim como ele, que nos amou até as últimas consequências, dando a vida por nós, para nos salvar. Mas já não existia esse mandamento? Moisés não recebeu a tábua da lei na montanha sagrada? Sim, mas ninguém viveu tão plenamente esse mandamento como Jesus. Ninguém amou como esse homem, que fez da sua vida, um amor total aos irmãos. ‘Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei’. É o jeito de vive-lo que o torna novo, porque vivido plenamente em prol dos irmãos.

A vida de Jesus nesta terra se resume em amor, não um amor sentimental, instintivo, passageiro, mas um amor que é um comportamento, um jeito de ser e de viver. Um amor que se compromete, até as últimas consequências. Uma vez eu li um livro que falava da diferença entre envolvimento e comprometimento. Usando a imagem de dois animais, dizia o autor: a galinha quando bota o ovo, se envolve, mas, o porco, quando nos dá o seu toucinho, ele se compromete. O envolvimento é algo momentâneo e movido por um simples prazer, que facilmente termina. O comprometimento é uma doação diária e plena
por uma causa. Assim foi o amor de Jesus para com a humanidade.

Os gregos falavam de três tipos de amor; eu incluo um quarto, o amor carnal, aquele instintivo e tão presente na sociedade de hoje. É o que nós chamamos hoje com a palavra ‘ficar’, ‘fiz amor’, mas, algo que se parece mais com um jeito animalesco de ser do que humano. É apenas envolvimento, muito rápido e passageiro. É o nível mais baixo daquilo que podemos chamar de amor, sem compromisso e sem responsabilidade. O segundo é o amor Eros movido pelo romance, a paixão, o desejo, além de estar associado ao prazer, à atração física e ao sexo. Esse é o amor vivido entre os casais na sua intimidade O terceiro é o amor Philos, que pode ser compreendido como sendo um sentimento de simpatia natural, uma profunda amizade e carinho que alguém dispensa aos seus amigos e familiares. Mas o amor pregado por Jesus é o amor Ágape, um amor feito na gratuidade, um amor que não despreza ninguém, mas
acolhe a cada um assim como ele, é um amor que simplesmente quer o seu bem e a sua felicidade.

A grande exigência de quem segue a Jesus é viver o amor Ágape, que é um amor que não busca seus próprios interesses, é um amor desinteressado, puro e genuíno. O amor ágape não esmorece, mas é constante e permanece forte até as últimas consequências, é um tipo de amor invencível, capaz de amar o mais indigno dos homens. Poe todo o Novo Testamento os verdadeiros cristãos são exortados a demonstrar o amor ágape, isto é, amar como Cristo amou. Este é o novo mandamento, vivido plenamente por Jesus e que convida os seus seguidores a vive como ele viveu. Um amor que se doa, se sacrifica pelo outro, sem interesses egoístas, mas na plena gratuidade.

Publicado na edição 1311 – 13/05/2022

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