Um para antes, outro para depois!

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No próximo dia 5 de julho completarei dez anos de O Popular. Nesse período aprendi muita coisa. Uma delas foi que para cobrir o dia a dia da política local é preciso carregar sempre no bolso dois comprimidos de “engov”: uma para antes da pauta e outro para depois.

Digo isso porque é necessário muito estômago para ouvir e presenciar algumas coisas que acontecem nesta cidade. Dia desses mesmo acompanhava uma reunião entre vereadores de nossa municipalidade e representantes de sindicatos. A pauta era a de sempre, os sindicatos iriam pedir alguma coisa para o Executivo e pleiteavam o apoio dos integrantes do Legislativo.

Quem viu aquele pessoal todo comportadamente sentados à mesa e não conhece o que uns dizem do outro quando não estão no mesmo espaço, frente a frente, até pode crer que – de fato – um lado estava interessado no que o outro pensava. Mas, penso eu, tudo aquilo, em termos práticos, não passou de uma grande encenação.

A não ser que eu esteja muito enganado, sou capaz de dizer até que um lado não suporta o outro. Lado A quando vira as costas fala mal de lado B e vice-versa. Se ambos os lados não tivessem cobertos pelo manto da hipocrisia, a conversa seria mais animada e, quiçá, produtiva. Os sindicatos chamariam a atenção dos vereadores pelo alto custo da Câmara aos cofres públicos municipais. Exigiriam que os edis diminuíssem o número excessivo de cargos em comissão a cada um tem direito. Pediriam satisfação com relação a essa história de que cada integrante do Legislativo tem direito a indicar certo número de CCs na Prefeitura, o que claramente influência na independência do trabalho de fiscalização que eles deveriam fazer e assim por diante.

Em contrapartida, se a conversa fosse visando mesmo o interesse público, os vereadores presentes chamariam a atenção dos sindicatos com relação a essa mania chata que eles têm de só pedir melhorias financeiras sem oferecer nada em contrapartida. Deixariam claro que exigiriam do Poder Executivo que seja feito uma revisão do PCCV de modo que a meritocracia norteasse as progressões salariais no serviço público municipal. Cobraria dos representantes do magistério, antes, uma melhora significativa na qualidade do ensino em Araucária para que só depois ambas as partes voltassem a discutir questões salariais e assim por diante.

Nada disso, porém, foi feito. A conversa foi vazia. Tipo assim, eu finjo que te escuto e vocês fingem que nos ouvem, de ambos os lados. Minha sorte foi que naquele dia eu havia levado três “engovs” e pude tomar dois depois da conversa. Estou bem e pronto para a próxima!

Comentários são bem vindos. Até uma próxima!