Vando Fortuna: O filho falecido ajudou a mãe a encontrá-lo
Vando Fortuna relata uma experiência mediúnica em que ajudou uma mãe a encontrar o corpo do filho desaparecido.
Uma das experiências mais profundas e assustadoras que vivi em toda a minha caminhada mediúnica aconteceu há cerca de cinco anos. Foi um daqueles acontecimentos que mudam para sempre a forma como enxergamos a vida, a morte e, principalmente, o amor entre uma mãe e um filho.
Uma amiga muito querida vivia dias de absoluto desespero.
Seu filho, um rapaz jovem, cheio de vida, alegre e festeiro, havia saído de casa e simplesmente desaparecido.
As horas viraram dias.
As buscas da polícia não encontravam qualquer pista.
A angústia daquela mãe aumentava a cada amanhecer. Ela parou de dormir, perdeu peso, quase não conseguia mais comer. Quem já viu uma mãe procurando um filho sabe que existe uma dor para a qual não há palavras.
Como ela conhecia meu trabalho espiritual, pediu apenas uma coisa:
— Evandro, faça uma oração por ele.
Eu aceitei imediatamente.
Convidei uma amiga, também médium, para que fizéssemos aquela prece juntos. Não queríamos respostas prontas. Queríamos apenas pedir que a espiritualidade nos mostrasse um caminho.
Iniciei a oração.
Chamei pelo mentor espiritual daquele rapaz.
Uma vez. Silêncio. Chamei novamente. Nada. Na terceira vez…
Não foi o mentor que apareceu.
Foi ele.
Sentou-se diante de mim. Estava cabisbaixo. Silencioso. Completamente abatido.
Comecei a descrever tudo em voz alta para a médium que me acompanhava.
Olhei para ele e perguntei:
— Fulano… onde você está? Sua mãe está desesperada procurando por você.
Nenhuma resposta. Apenas silêncio.
Foi naquele instante que compreendi algo que me gelou por dentro.
Ele não estava temporariamente afastado do corpo.
Ele havia falecido.
Respirei profundamente e fiz apenas um pedido:
— Então me leva até você. Mostre onde está o seu corpo.
Naquele instante ele começou a caminhar. Eu apenas o acompanhava.
Ele me conduziu até um lugar tomado pelo mato. Vi um pequeno curso de água, um barranco e, ao lado dele, um corpo caído, ensanguentado, com uma das mãos tocando a água.
Quando a cena terminou, ele finalmente falou.
Até hoje nunca esqueci aquelas palavras.
— Como eu vou contar para minha mãe?
Ele não chorava por si. Chorava pela dor que imaginava causar nela.
Então eu disse:
— Você não precisa contar. Apenas ajude sua mãe a encontrar você. Ela não quer explicações. Ela só quer poder abraçar sua história pela última vez. Ela nunca deixará de amar você. Nunca.
Foi como se ele encontrasse coragem.
A oração terminou.
Saí daquele estado profundamente abalado. Peguei o telefone imediatamente. Liguei para a mãe dele.
Expliquei tudo o que havia acontecido e descrevi, com o máximo de cuidado possível, o lugar que havia visto durante a experiência espiritual.
No dia seguinte ela percorreu vários locais.
Até que encontrou.
O corpo estava exatamente próximo a um córrego, cercado por vegetação, em uma posição muito semelhante àquela que me havia sido mostrada.
Foi uma dor impossível de medir.
Mas também foi o fim de uma espera insuportável.
Ela pôde velar seu filho. Pôde enterrá-lo com dignidade. Pôde iniciar o próprio luto.
Alguns meses depois aconteceu algo que me marcou novamente.
Era véspera de Natal.
Antes de sair para trabalhar, aquele rapaz voltou a aparecer espiritualmente diante de mim.
Sorriu. E disse apenas:
— Avisa minha mãe que neste Natal eu não estarei fisicamente com ela… mas continuo amando ela.
Sem acrescentar absolutamente nada, liguei para sua mãe e transmiti exatamente aquelas palavras.
Do outro lado da linha ouvi um longo silêncio.
Depois ela começou a chorar. E me disse:
— Evandro… eu fiz uma oração para Jesus. Pedi que neste Natal eu não ganhasse nenhum presente material. Só queria uma notícia do meu filho. Queria saber que ele estava bem.
Desliguei o telefone em silêncio.
Naquele dia compreendi que talvez a morte interrompa a convivência dos corpos, mas não consegue interromper um vínculo construído no amor.
Não escrevo esta história para convencer ninguém. Cada pessoa é livre para acreditar naquilo que faz sentido para sua consciência.
Escrevo porque ela transformou profundamente a minha.
Depois daquele encontro nunca mais consegui olhar para a morte apenas como um fim. Passei a enxergá-la como uma travessia.
E, acima de tudo, passei a acreditar que o amor verdadeiro encontra caminhos que nem a própria morte consegue impedir.
Porque existem despedidas que o corpo faz.
Mas há amores que a alma continua vivendo para sempre.
Edição n.º 1942
