Com fluxo impressionante de passageiros cruzando suas catracas diariamente, o Terminal de Araucária faz parte do cotidiano da população araucariense há 50 anos. Com 47 linhas do TRIAR, entre urbanas e rurais, e 10 linhas metropolitanas que conectam Araucária a Curitiba e a outras cidades da região metropolitana (Campo Largo, Contenda e Fazenda Rio Grande), o terminal é o principal ponto de chegada e partida dos moradores.

São trabalhadores e estudantes que se deslocam de Araucária para outros municípios, assim como muitos vem de outras cidades para cá, também para estudar, trabalhar ou outros fins. Muitos são passageiros antigos, que acompanharam a evolução do transporte coletivo do município e falam dos principais acontecimentos e inovações que ocorreram ao longo dos anos.

O padeiro Joreci Lopes, de 53 anos, conta como a construção do terminal melhorou o seu dia a dia. Ela mora no Jardim São Francisco e há 9 anos trabalha em Curitiba. “Faz 9 anos que faço esse trajeto todos os dias, inclusive em domingos e feriados, e levo em média 50 minutos. O transporte coletivo é muito bom, quase sempre viajamos com tranquilidade, exceto em horários que coincidem com entrada e saída das escolas, daí os carros lotam de estudantes”, afirma.

136 anos: No vai e vem dos ônibus, passageiros e motoristas acompanharam a evolução do transporte
Foto: Victória Malinowski. Joreci Lopes

Joreci diz que percebeu muitas mudanças significativas implantadas para melhorar o sistema de transporte coletivo, mas que ainda falta muito a se fazer. “Agora temos o Ligeirinho articulado, que antes não havia, isso alivia um pouco a superlotação. Porém, a estrutura do terminal ainda precisa melhorar, falta conforto para os passageiros, não tem bancos pra gente sentar”, declara.

Para o soldador Osemar dos Santos Silva, de 51 anos, que mora em Curitiba, mas há 13 anos utiliza o terminal central de Araucária, elogia o sistema de transporte coletivo do Município. “Eu não tenho reclamação a fazer, principalmente com relação ao preço da passagem, que é super acessível, comparado com Curitiba. As coisas mudaram bastante por aqui, e foi pra melhor. No entanto, a estrutura ficou pequena para o grande volume de passageiros, o terminal precisa de mais espaço, ser mais confortável”, sugere.

136 anos: No vai e vem dos ônibus, passageiros e motoristas acompanharam a evolução do transporte
Foto: Victória Malinowski. Osemar

Eloisa Cardoso de Oliveira, de 64 anos, é aposentada, mas sempre foi agricultora na área rural do Capinzal. Utiliza o transporte coletivo desde 2009, isso porque vai com frequência para Curitiba. “O transporte oferecido por Araucária é muito bom, vou do interior a Curitiba pagando apenas R$1,00 e gasto cerca de uma hora e meia de viagem. Isso graças a integração, que facilitou muito a nossa vida”.

A aposentada só lamenta que o terminal tenha praticamente a mesma estrutura de quando foi inaugurado, e que até agora tenha recebido poucas mudanças. “Acho que falta estrutura, principalmente para atender os idosos. Desde 2009 conheço esse terminal e sua pintura sempre foi a mesma. Precisamos de mais bancos e de uma área com maior conforto, especialmente para idosos, mulheres com criança de colo e outras pessoas com necessidades”, afirma.

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Foto: Victória Malinowski. Eloisa

O motorista Orlando Osvaldo Filipak, 49 anos, está há 27 anos no TRIAR, seguiu o exemplo do tio, que também era motorista do transporte coletivo municipal. Há cerca de 5 anos Orlando trabalha na garagem, porém atua nas linhas quando é acionado para cobrir algumas faltas. “Fiquei 12 anos fazendo a linha do Tropical, conhecia muitos passageiros pelo nome, fiz muitas amizades. Ganhei muitos presentes no tempo em que fiquei nas linhas, a maioria dos passageiros era simpática. Também acompanhei muitas mudanças no terminal”, relata.

136 anos: No vai e vem dos ônibus, passageiros e motoristas acompanharam a evolução do transporte
Foto: Divulgação. Orlando.

Orlando acompanhou várias mudanças implantadas no terminal ao longo dos anos e cita avanços como a bilheteria eletrônica, a tecnologia wi-fi nos ônibus, trânsito mais organizado. “Antigamente o movimento de passageiros representava cerca de 20% do que existe hoje. Eram poucas linhas e os horários bem mais espaçados, os passageiros aguardavam bastante pelos ônibus. O problema é que hoje, em determinados horários, o terminal ficou pequeno demais para o fluxo de passageiros. Mas sabemos que o espaço será revitalizado e todo mundo está ansioso por isso”, admite.

Amarildo Veiga (na foto, à esquerda), atua nas linhas metropolitanas há 31 anos, sendo a maior parte desse tempo no Ligeirinho Araucária/Curitiba. Acompanhou de perto muitas mudanças que ocorreram no transporte coletivo, em especial na estrutura do Terminal Central. “No começo não eram tantos passageiros como hoje e as linhas eram poucas também. Mas vejo que o terminal, à medida que o movimento cresceu, foi tentando se adaptar e recebeu melhorias. É claro que nós, motoristas, enfrentamos algumas dificuldades ao longo desses anos, mas eu me adapto a tudo muito fácil e não sou de reclamar”, afirma.

Veiga declara que ama a profissão que escolheu, e que não se cansa de dirigir quase todos os dias e de fazer incontáveis viagens, sempre pelo mesmo trajeto. “Para mim, cada dia é um novo começo, e quem trabalha com alegria, é sempre simpático com os outros. Vale muito a pena e vou contar uma história que comprova isso. Há alguns anos, quando eu fazia a linha Araucária/Pinheirinho, ainda como cobrador, uma passageira grávida sempre pegava o ônibus com seu filhinho, que devia ter menos de 5 anos e por isso passava por baixo da catraca. Esses dias eu dirigindo o Ligeirinho e um rapaz chegou até mim e pediu: ‘Motorista, posso passar por baixo da catraca?’. Eu até brinquei e disse que ele poderia, mas com certeza ficaria entalado. Então ele riu e perguntou se eu não lembrava dele. Foi então que me contou sobre todas as vezes que fez isso pegando ônibus com sua mãe. Podem passar anos, mas tem passageiros que nunca esquecem da gente”, se emociona.

Edição n.º 1502. Edição Especial – Aniversário de Araucária: 136 anos