VKR Empreendimentos: O sonho da casa própria não acabou. Ele mudou.
Vanderley Ribeiro, CEO da VKR Empreendimentos, analisa como o significado da casa própria mudou entre as gerações.
Durante muito tempo, conquistar a casa própria significava seguir uma trajetória previsível: começar a trabalhar, formar uma família, financiar um imóvel e permanecer nele por grande parte da vida.
A propriedade estava diretamente ligada à permanência. Comprar uma casa era escolher o endereço onde os filhos cresceriam e onde a família pretendia criar raízes. Hoje, essa relação se tornou mais complexa.
As pessoas mudam de emprego com mais frequência, trabalham a distância, experimentam novas cidades e adiam decisões que, para as gerações anteriores, aconteciam mais cedo. Nesse contexto, morar de aluguel pode oferecer mobilidade e facilitar a adaptação a diferentes fases da vida.
Os números refletem essa transformação. De acordo com o IBGE, a quantidade de domicílios alugados no Brasil cresceu 54,1% entre 2016 e 2025, avanço superior ao registrado entre os imóveis próprios.
Seria fácil interpretar esse movimento como o fim do sonho da casa própria. Mas a realidade mostra algo diferente.
Uma pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec em 2025 revelou que 50% dos jovens da geração Z pretendem comprar um imóvel, percentual superior à média nacional, de 41%. Ao mesmo tempo, 62% acreditam que essa conquista está mais difícil hoje do que foi para as gerações anteriores.
O desejo, portanto, não desapareceu. O caminho ficou mais difícil e o significado da compra mudou.
Para parte das novas gerações, ter um imóvel próprio não significa necessariamente morar nele por toda a vida. Pode significar construir o primeiro patrimônio, gerar renda com locação, preparar uma segurança para o futuro ou criar uma alternativa para momentos de instabilidade.
Isso separa duas decisões que, por muito tempo, foram tratadas como uma só: onde morar e onde investir.
Uma pesquisa divulgada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção mostrou que 29% dos brasileiros planejavam comprar um imóvel com finalidade principal de investimento. A maior concentração estava entre pessoas de 25 a 34 anos, interessadas em construir patrimônio, obter renda com aluguel ou garantir uma segunda moradia.
Outro levantamento da Ipsos-Ipec mostrou que, entre os motivos para comprar um imóvel, 28% dos brasileiros citaram a formação de patrimônio ou a segurança financeira, 24% mencionaram o desejo de não pagar aluguel e 22% apontaram diretamente o investimento.
Esses dados mostram que a compra de um imóvel não está ligada somente à necessidade imediata de moradia. Ela também responde a uma preocupação maior: como construir segurança em um mundo no qual o trabalho, a renda e os planos pessoais podem mudar rapidamente?
Na minha visão, independentemente da geração, do estilo de vida ou da forma escolhida para morar, os imóveis continuarão sendo percebidos como pontos de segurança e certeza.
Não porque estejam livres de riscos ou ofereçam retorno automático, mas porque representam algo concreto em um cenário marcado por mudanças. Empregos mudam, modelos de trabalho se transformam, investimentos oscilam e planos são revistos. O imóvel, quando adquirido com responsabilidade, permanece como um patrimônio capaz de atravessar diferentes momentos da vida.
Para uma geração, essa segurança pode estar em morar durante décadas no mesmo endereço. Para outra, pode estar na renda obtida com a locação, na valorização ao longo do tempo ou na possibilidade de vender o bem para financiar um novo projeto.
A função muda, mas a importância de possuir uma base própria permanece.
Isso não significa que todo imóvel seja automaticamente um bom investimento. Existem custos de manutenção, impostos, períodos sem locação e diferenças importantes entre regiões e produtos. Comprar bem exige planejamento. É necessário analisar localização, infraestrutura, qualidade do projeto, demanda, capacidade de pagamento, o objetivo da aquisição e até a própria empresa de que está adquirindo.
A decisão deve começar com uma pergunta simples: qual função esse imóvel terá na minha vida?
Para alguns, será o endereço definitivo. Para outros, o início de uma construção patrimonial. Pode ser uma propriedade adquirida para locação, uma reserva de longo prazo ou um primeiro passo para uma conquista maior.
Durante décadas, nossos pais e avós enxergaram o imóvel como uma das formas mais concretas de proteção patrimonial. As novas gerações não abandonaram essa visão. Apenas passaram a conciliá-la com mobilidade, flexibilidade e novas formas de morar.
As gerações mudam. Os comportamentos mudam. Mas permanece a necessidade de construir uma base segura e ter um patrimônio ao qual recorrer.
O sonho da casa própria não acabou.
Ele deixou de representar apenas um endereço e passou a representar também segurança, liberdade de escolha e a possibilidade de construir o próprio futuro.
Por Vanderley Ribeiro
CEO da VKR Empreendimentos – Cuidar. Construir. Transformar
Edição n.º 1942
