VKR Empreendimentos: Construção civil volta ao centro da geração de empregos no Brasil
Coluna da VKR analisa os dados do Novo Caged que colocam a construção civil como segundo setor que mais gerou empregos formais no país em 2026.
Há números que ajudam a enxergar uma atividade econômica para além daquilo que vemos todos os dias. Em julho, a construção civil criou 12.691 novos empregos com carteira assinada no Brasil. Isso significa que, de cada cinco novas vagas formais abertas no país naquele mês, aproximadamente uma veio da construção.
Segundo dados do Novo Caged, analisados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor respondeu por 21,67% de todo o saldo de empregos formais de julho, ficando atrás apenas dos serviços. De janeiro a julho, foram 180.449 novas vagas, mantendo a construção como o segundo setor que mais gerou empregos formais no país em 2026.
É um número importante não apenas pelo volume, mas pelas características do setor.
Construir continua sendo uma atividade que depende intensamente de pessoas. Antes de um edifício, uma casa, uma estrada ou uma obra de saneamento ficar pronta, existe uma longa sequência de profissionais envolvidos: engenheiros, mestres de obras, pedreiros, eletricistas, encanadores, pintores, operadores de máquinas, técnicos de segurança, profissionais administrativos e muitos outros.
E essa movimentação não termina no portão do canteiro. Uma obra demanda concreto, aço, madeira, vidro, equipamentos, transporte, alimentação, serviços técnicos e uma extensa rede de fornecedores. Por isso, quando a construção contrata, o impacto econômico alcança atividades muito além da própria obra.
No Paraná, esse movimento também aparece nos números. Entre janeiro e julho, a construção acumulou 9.048 novos postos formais de trabalho. O ritmo de contratação desacelerou em relação ao ano anterior, mas o saldo permanece positivo e ajuda a mostrar a dimensão do setor na economia do estado.
Outro dado chama particularmente a atenção. No primeiro semestre, 48,82% das novas vagas geradas pela construção no país foram ocupadas por pessoas entre 18 e 29 anos.
Em um momento em que tanto se discute a dificuldade do jovem em conquistar experiência e ingressar no mercado formal de trabalho, a construção continua funcionando como uma importante porta de entrada. É também um setor que permite diferentes trajetórias: alguém pode começar como auxiliar, aprender um ofício, especializar-se e avançar profissionalmente ao longo dos anos.
A remuneração ajuda a quebrar outra percepção. Em julho, o salário médio de admissão na construção chegou a R$ 2.634,50, o maior entre os grandes setores econômicos e acima da média nacional das novas contratações, de R$ 2.419,23.
Mas existe um paradoxo nesse cenário. Ao mesmo tempo em que a construção abre milhares de vagas, as empresas encontram dificuldade para contratar profissionais em quantidade e com a qualificação necessárias para acompanhar o ritmo das obras.
A falta ou o alto custo da mão de obra já aparece entre os desafios enfrentados pelo setor. Profissionais experientes envelhecem e deixam a atividade, enquanto uma nova geração nem sempre chega na mesma velocidade para ocupar essas funções.
Isso significa que o desafio dos próximos anos não será apenas gerar empregos. Será também formar profissionais.
Qualificação, melhores condições de trabalho, tecnologia e novas formas de construir passam a fazer parte dessa mesma discussão. Se queremos um setor capaz de continuar crescendo, precisamos tornar essas profissões mais atrativas e criar caminhos para que quem ingressa na construção enxergue nela uma possibilidade real de desenvolvimento profissional.
Para cidades em crescimento, como Araucária, essa discussão é ainda mais próxima. Cada novo empreendimento, obra de infraestrutura ou investimento urbano não representa apenas aquilo que será entregue ao final. Durante meses ou anos, representa emprego, renda e movimentação econômica.
Normalmente olhamos para uma obra pensando no que surgirá naquele terreno. Os números de 2026 nos lembram de olhar também para aquilo que está sendo construído antes mesmo da entrega: oportunidades.
E talvez o próximo desafio da construção brasileira seja justamente garantir que existam cada vez mais pessoas preparadas para aproveitá-las.
Por Vanderley Ribeiro
CEO da VKR Empreendimentos – Cuidar. Construir. Transformar
Edição n.º 1950
