Coluna da SMAS: Nunca é tarde para recomeçar
Coluna da SMAS acompanha a retomada das aulas da EJA no Centro de Convivência da Pessoa Idosa e conta a história de Rosângela Lima, de 63 anos, que voltou a estudar.
Sobre as mesas, cadernos abertos. Nas mãos, lápis. Nos olhos, uma vontade que o tempo não conseguiu apagar. Foi assim que o Centro de Convivência da Pessoa Idosa (CCPI) recebeu, no dia 11 de agosto, Dia do Estudante, a retomada das aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), voltadas ao público idoso. Mais do que o retorno à sala de aula, aquele dia marcou o reencontro de muitas pessoas com um sonho que, por diferentes razões, precisou esperar.
A retomada é fruto da parceria entre as Secretarias Municipais de Assistência Social e de Educação, mas nasceu, principalmente, de um pedido dos próprios alunos: estudar no espaço onde já se sentem acolhidos e pertencentes.
Entre os estudantes está Rosângela Lima, de 63 anos. Ela estudou até a 4.ª série e passou muitos anos longe dos livros e dos cadernos. O desejo de voltar, porém, nunca foi embora. O incentivo veio também dos netos mais velhos, que ajudaram a transformar um antigo sonho em realidade.
E Rosângela não voltou para a escola pensando apenas no que ficou para trás. Mais adiantada que os outros alunos da turma, ela já se prepara para um novo desafio: realizar a prova do Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos).
Talvez seja essa uma das maiores belezas de aprender em qualquer idade: perceber que ainda existem caminhos a percorrer e novas descobertas a fazer.
Na sala de aula, cada descoberta tem seu valor. Ler uma palavra, compreender um texto, escrever, fazer uma atividade. Pequenas conquistas que, para quem esperou tantos anos, podem carregar um significado enorme.
E há também aquilo que não está nos livros. Entre uma lição e outra, surgem conversas, risadas, amizades e histórias de uma vida inteira. A sala de aula se transforma em lugar de encontro, de troca e de novos começos. É assim que os vínculos são criados e fortalecidos.
Aos 63, Rosângela não está tentando voltar no tempo. Está olhando para frente. Porque nunca é tarde para aprender. Nunca é tarde para recomeçar. E, enquanto houver uma página em branco, ainda haverá espaço para escrever uma nova história.
Edição n.º 1946
