Araucariense que foi voluntário na Venezuela por 15 dias relata cenário de guerra
Na sua quinta missão humanitária, Tako disse que nunca tinha se deparado com uma situação tão triste como a que encontrou no país.
O empreendedor araucariense Peterson Alves da Silva, mais conhecido como Tako, foi um dos voluntários que atuou na Venezuela após os terremotos de grande magnitude que atingiram o país no dia 24 de junho. Ele ficou cerca de 15 dias por lá e já está de volta a Araucária, se recuperando das sequelas emocionais e físicas.
“Essa foi minha quinta missão humanitária, mas confesso que fiquei chocado ao chegar na Venezuela, me deparei com um verdadeiro cenário de guerra que eu não vi igual. Muitas pessoas debaixo dos escombros, pedindo socorro. Algumas pessoas foram resgatadas com vida, outras não. Muitos corpos já em decomposição e o cheiro de morte tomava conta de tudo. Eu passei muito mal e precisei de apoio psicológico”, lamenta Tako.
Ele lembra que países que vivem em guerra já estão acostumados com esse cenário, mas na América do Sul isso é totalmente diferente. “Foi o primeiro terremoto que aconteceu aqui pertinho de nós. E lá a gente sentia a terra tremer ainda. Foi apavorante!”.
Tako atuou em várias frentes de trabalho no tempo em que ficou na Venezuela. “Se a pessoa vai com o intuito de ajudar, de realmente trabalhar, ela chega e já pega no pesado, não come direito, porque a comida é restrita, não tem água potável. Tudo vem de doações. Descarregamos caminhões com comida e água, ajudamos a distribuir as doações e medicamentos, a resgatar pessoas dos escombros, fizemos barracas para os desabrigados, entre outros serviços. Não tem nem como descrever totalmente o que vimos, só estando lá para ver”, relata.

Ele ficou doente, com fortes sintomas de gripe, mas, ao mesmo tempo, acreditava ser algo pior, como febre amarela ou dengue. “Fiquei com medo de ser um problema de saúde maior. Então fui atendido em um hospital de campanha, me medicaram e disseram que era um resfriado e que a tosse era alérgica, devido à poeira densa que pairava no ar em decorrência dos desabamentos. E nos últimos dias o cheiro de corpos em decomposição ia ficando cada vez pior”, descreve.
Tako diz que até o momento, foram contabilizadas aproximadamente 4.600 vítimas, entre mortos, feridos e sobreviventes. Contudo, há um número elevado de pessoas desaparecidas sob os escombros. “O processo de resgate será complexo e demorado, pois exige uma logística delicada e precisa para a remoção dos destroços de concreto; não se trata apenas de utilizar maquinário pesado, uma vez que é necessário preservar os corpos que ainda se encontram soterrados”, observa.
Segundo ele, inicialmente, a prioridade máxima das equipes foi o resgate de sobreviventes — e, felizmente, ocorreram casos que podem ser considerados milagrosos. No entanto, diante da incerteza sobre a quantidade exata de vítimas desaparecidas, visto que as estimativas divergem entre a mídia, os governos estrangeiros e a população local, a operação de limpeza torna-se um desafio imenso. “A esperança agora reside na ajuda de equipes de Israel e da China, que dispõem de equipamentos de tecnologia avançada para conduzir esse trabalho com a cautela e o rigor necessários”, reforça.
Tako não esconde o desejo de ter ficado mais tempo ajudando, porém tinha que voltar porque seu comércio, uma borracharia, ficou fechada todo esse tempo. “Graças a Deus, fiz minha parte, sem fins lucrativos, sem desejar pagamento nenhum. Não faço isso por fama, nem por dinheiro, faço porque gosto de ajudar quem precisa. Ninguém sabe o dia de amanhã, talvez nós estejamos precisando de ajuda”.
Edição n.º 1941
