Quando se fala em políticas públicas para crianças e adolescentes, quase sempre são os adultos que aparecem nas discussões: quem planeja, quem decide e quem coloca as ações em prática. Mas, no meio disso tudo, existe uma pergunta que não pode ficar de fora: o que eles pensam sobre aquilo que está sendo construído para eles?

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Em Araucária, essa pergunta ganhou espaço nas pré-conferências dos Direitos da Criança e do Adolescente. Desde o início de agosto, foram oito encontros em diferentes locais do município, entre CRAS, Instituto Schnoor, Centro de Referência em Capacitação (CRC), projeto Garoto Cidadão, da CSN, e outros espaços onde esse público está presente.

E uma coisa ficou evidente ao longo dos encontros: quando existe espaço para falar, eles têm muito a dizer.

Educação, saúde, segurança, proteção, convivência e oportunidades estiveram entre os assuntos discutidos. São temas que fazem parte da vida de qualquer criança ou adolescente e que, muitas vezes, são debatidos pelos adultos sem que se pergunte a quem está vivendo essa realidade o que pensa sobre ela.

A participação dos jovens permite que eles mostrem o que funciona, o que precisa mudar e o que ainda falta. São percepções que ajudam a olhar para essas questões a partir de outro ponto de vista.

Quando um adolescente percebe que sua opinião pode fazer parte de uma discussão sobre política pública, também começa a compreender que tem direitos e que pode participar das decisões que dizem respeito à sua própria vida.

E talvez nem toda sugestão possa ser atendida. Mas ouvir muda a forma de enxergar uma situação. Quem está no dia a dia de uma escola, de um bairro, de um projeto ou de um serviço percebe coisas que nem sempre aparecem nos planejamentos feitos pelos adultos.

Agora, as propostas levantadas nas pré-conferências seguem para a 10ª Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, nos dias 4 e 5 de novembro, no Centro de Convivência da Pessoa Idosa, localizado na Rua Nossa Senhora dos Remédios, 1073, Fazenda Velha.

No fim, falar de direitos também é falar de participação. Crianças e adolescentes não são apenas o futuro. Eles estão aqui, vivem a cidade hoje e também têm o direito de dizer como querem que ela seja.

Edição n.º 1951

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