Escrever nos dá a certeza de inserção no fantástico mundo da palavra escrita. A história humana não é assim tão recente e a trajetória da espécie é conhecida principalmente pelos relatos feitos de forma escrita, inicialmente em blocos de pedra, que agora avançam rapidamente para o meio eletrônico. Ler é o coroamento do processo da comunicação escrita, pois comparamos a opinião do escritor com a nossa e podemos formar um juízo sobre os temas abordados. Considero fundamental, por exemplo, a leitura de “O POPULAR DO PARANÁ” com seus editoriais, reportagens e colunas. Não que tome seu conteúdo como expressão da verdade, mas porque percebo um importante esforço de comunicação. Em minhas colunas tenho tentado destacar a importância da decisão pessoal de cada um de nós para a evolução da sociedade. Frequentemente, criticamos a atuação dos políticos por conta das mazelas que assombram a administração pública. É lógico que as pessoas reconhecem o muito que já foi feito, comparando o município de economia agrícola de outrora com o fortemente industrializado da atualidade, mas se ressentem de um maior retorno da farta arrecadação municipal e querem um melhor resultado. Insisto em dizer que a solução está em cada um de nós. O jornal Zero Hora-RS tem publicado uma série de reportagens sobre a devassa desencadeada pela Polícia Federal que resultou em várias prisões no município de Triunfo, pela suposta comprovação de que eram contratados cargos comissionados para devolver parte de seus salários a quem os indicara. Triunfo também é um município rico, pois dispõe recursos anuais da ordem de R$ 5.000,00/habitante/ano. Sobre o ocorrido, o Juiz Ivan Fernando de Medeiros Chaves, que já cassou dois prefeitos e quatro vereadores por crimes eleitorais, disse: “É um processo histórico. A população é refém dessas pessoas. A população é humilde, pobre, e a cidade é rica. A cidade recebe muito dinheiro do polo petroquímico, mas não tem UTI, não tem saneamento básico. É ligada a outra cidade ainda por balsa, com todo esse poder econômico. A população meio que aceita essa condição. Triunfo é muito paternalista, então, todo mundo é empregado da prefeitura ou da Câmara. As pessoas vendem os votos em troca de favores. Estamos fazendo um trabalho sério. A Polícia Federal, o Judiciário atento e a população agora, nas próximas eleições, deve escolher as pessoas corretas. Tem gente boa. A grande maioria da população é honesta, mas é refém dessas pessoas, pois basicamente o poder sempre está na mão de um ou de outro, ele se alterna. Agora, a população tem que impedir isso.” A leitura da entrevista do Juiz confirma o que tenho tentado dizer: mesmo que forças externas descobrissem desvios de verbas como os encontrados em Triunfo-RS, afastando os culpados da administração pública, ainda sim precisaríamos escolher as pessoas corretas para votarmos.

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo

 

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