Quem vive em Araucária sabe que a saúde é tema constante nas conversas. Seja na fila do mercado ou na espera de uma clínica, é comum ouvirmos: “Passei por três médicos e só agora descobri o que tenho”. A conclusão imediata costuma ser a de que dois erraram e apenas um acertou. Ledo engano. A medicina é a ciência das probabilidades, não das certezas exatas.

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Assim como cada organismo é único, as doenças variam em suas manifestações. Muitas patologias iniciam com sinais inespecíficos, o que abre um vasto leque de possibilidades. O raciocínio médico utiliza a anamnese (história do paciente) e o exame físico para “afunilar” as suspeitas. Exames complementares surgem para excluir hipóteses, até que se chegue a um diagnóstico definitivo.

O diagnóstico é um processo evolutivo. Com o tempo, os sintomas tornam-se específicos e as respostas — ou falhas — às terapias iniciais ajudam a clarear o quadro. Por isso, o ideal é retornar ao mesmo médico ou instituição. A fragmentação do cuidado, o “pular de médico em médico”, rompe a linha de raciocínio clínico e dificulta a descoberta de condições complexas que exigem observação temporal.

No Direito e na Ética, o médico responde por imperícia, imprudência ou negligência. Contudo, o atendimento médico é uma obrigação de meio. O compromisso do profissional é com a boa técnica e o zelo, e não com a garantia de resultado ou cura imediata. O pagamento da consulta remunera o tempo e o saber técnico, não a “entrega” de um diagnóstico fechado na primeira hora.

Assim como um advogado garante a melhor defesa técnica, mas não a vitória, o médico garante o uso da melhor ciência, sem controlar o desfecho biológico. Um atendimento se completa com a investigação e a hipótese diagnóstica — mesmo que ela resulte na necessidade de encaminhamento para um especialista.

Entender que a medicina é uma ciência de meio é o primeiro passo para uma relação mais justa. O que deve valer mais: a pressa por um diagnóstico ou a segurança de uma investigação ética? Fica a reflexão sobre o valor da confiança nos consultórios.

Edição n.º 1512.

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