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Empatia e solidariedade  com as famílias em luto - notícias da Geral  - O Popular do Paraná

EDIÇÃO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO – 130 ANOS

Um dos cidadãos mais carismáticos da cidade certamente é o agente funerário Alberto Mário Silva, de 73 anos que a maioria das pessoas conhece como Albertinho da funerária.

Seus pais são naturais de Araucária, das famílias Matioli, no Estação, e Silva, no Guajuvira de Baixo, onde Albertinho passou sua infância e estudou na escola local. O pai, Osvaldo, era produtor rural e mantinha uma fábrica de massa de tomate, de torrefação de café e um moinho de cereais. Quando os pais se separaram, Albertinho foi morar em Curitiba, e depois mudou-se para Contenda.

Da infância, lembra-se que os primos se reuniam para brincar, jogar futebol e pescar. Aos domingos a família frequentava a missa em Catanduvas.

Antes da funerária, ele fabricava carrocerias de caminhão e mesas de sinuca. “Eu estava pensando em mudar de ramo e um amigo que era proprietário de uma funerária na Lapa, sugeriu que eu abrisse uma em Contenda, já que não havia nenhuma funerária local”, relembra. Albertinho comprou alguns caixões, divulgou seu novo empreendimento pela cidade e aguardou. “A primeira pessoa a morrer foi um dentista bem conhecido, e a família me chamou para preparar o corpo e providenciar o sepultamento”. Foi tudo feito na intuição e Albertinho contou com a ajuda da sua mãe nesse e nos demais atendimentos que viriam.

Assim surgiu há mais de 40 anos a Funerária Santa Rita. Pouco tempo depois, em 1975, Albertinho mudou-se com a esposa Rita e os três filhos para Araucária, abrindo a filial da funerária na cidade, bem próximo a Rodoviária.

Com o passar dos anos, ele foi ficando cada vez mais conhecido e requisitado, pela forma gentil e respeitosa que tratava a família, oferecendo todo o suporte para o velório e sepultamento. Inclusive, ele mesmo ia na Rádio Iguassu e anunciava os falecimentos, horários e locais dos enterros.

“Uma atitude que meu pai sempre teve, foi a de nunca cobrar a conta de um familiar durante o luto, e foram raras as vezes que ficou sem receber pelo serviço”, comenta o filho Albertinho Junior, que trabalha com o pai desde 1995.

Solidário

Em todos esses anos, Albertinho faz questão de acompanhar os sepultamentos e quando solicitado pelos familiares, conduz o cerimonial de despedida em polonês, mantendo uma das mais antigas tradições da cidade. “Já enterrei muitas pessoas conhecidas, muitos amigos e, embora eu veja a morte com naturalidade, ainda me emociono com o sofrimento de quem fica”.

Albertinho conta que o momento mais triste da sua profissão foi quando a funerária foi responsável pelo funeral de todos os moradores de Araucária que morreram no desabamento de um edifício em Guaratuba há 25 anos. “Foi muito triste ver famílias inteiras dizimadas, todas pessoas conhecidas e da nossa convivência, uma consternação que durou muito tempo e abalou a toda a cidade”.

Ajuda do além

Como a morte é um assunto que gera um certo desconforto e até medo em muitas pessoas, nós tivemos que perguntar para o seu Albertinho se já teve alguma experiência inusitada, sobrenatural ou assustadora. E ele narrou, com riqueza de detalhes, o único momento de pavor que sentiu em toda sua vida: “Certa vez, faleceu um senhor que era morador de Catanduvas. Era início da noite e eu fui sozinho, conduzindo a Rural, levar o corpo para o velório. A casa da família ficava nos fundos de uma estradinha, ladeando a plantação. Logo que eu entrei na estrada, a Rural atolou, eu desci e no escuro, debaixo de uma chuva forte, comecei a escavar com as mãos, para tentar desenterrar as rodas. Já exausto eu pensei: Fulano, bem que você podia descer daí e vir me ajudar pra gente sair logo daqui” – nesse momento, uma mão gelada encosta em seu ombro – “Eu fiquei paralisado, aterrorizado e com falta de ar, até ouvir uma voz próxima perguntando se eu queria ajuda. Demorei um pouco para me recompor, e finalmente percebi que era um vizinho que tinha vindo em meu socorro”, recorda entre risos.

Cemitério Park

Albertinho ainda dá expediente em sua funerária, mas não cuida mais dos preparativos para o sepultamento, que fica a cargo de seus 12 funcionários, sendo que o mais antigo está na empresa há mais de 30 anos. Entretanto, engana-se quem pensa que ele está se aposentando. Ainda neste ano, Albertinho pretende realizar seu grande sonho com a inauguração do Cemitério Park, na região do Campo Redondo.

Com uma área de 36 mil m² e capacidade para 6000 sepulturas, será o primeiro cemitério privado da cidade, nos moldes do Jardim da Saudade, em Curitiba. “Quero proporcionar às famílias um atendimento humanizado, com a mesma tradição, dedicação e respeito que atuamos durante todos esses anos com a funerária”.

Texto: Rosana Claudia Alberti

Foto: Marco Charneski

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