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Valdemar Lachovski, filho de Doralice dos Santos Lachovski, está buscando justiça para uma suposta imperícia médica, que teria resultado na morte da mãe, ocorrida em 3 de janeiro de 2012. Ele diz que somente agora se manifestou, porque até então, estava em busca de respostas e documentos para formalizar a denúncia. Valdemar já foi em busca de provas junto ao Gaeco, Ministério Público de Araucária, Instituto do Rim e Conselho Regional de Medicina, onde juntou documentos como o prontuário médico de Doralice e o laudo de um nefrologista.

“Só quero que seja esclarecido o motivo que levou minha mãe a óbito. Tudo começou no dia 8 de agosto 2011, quando ela foi levada ao pronto-socorro, queixando-se de fortes dores ao urinar, boca seca e muita sede, sintomas causados por uma cistite aguda e inflamação da bexiga, sendo receitado pelo profissional que a atendeu, alguns medicamentos. Tal inflamação resultou em uma sepse urinária, gerando refluxo da urina, ou seja, retorno da urina ao rim, o que comprometeu ainda mais o funcionamento do órgão. Minha mãe já apresentava insuficiência renal, que havia sido diagnosticada em 11/10/2011. Não solicitaram exames de urocultura e antibiograma para identificar que bactéria estaria causando a infecção e que estava sendo resistente aos antibióticos que ela tomava. Os remédios estavam prejudicando ainda mais o estado de saúde dela. Relato ainda que houve retorno por algumas vezes ao pronto-socorro e no dia 22/12/2011 ela se queixou que há meses vinha sentindo fraqueza, tonturas, febre, ânsia seguida de vômitos, dores no estômago e no baixo ventre, dificuldade para caminhar e ainda apresentava sangue na urina. Ressalto que os remédios prescritos não estavam fazendo efeito e seu estado teve piora progressiva. Não pediram hemodiálise para retirar líquidos e toxinas do sangue e no dia 22/12/2011, minha mãe foi encaminhada com urgência a um nefrologista, isso depois de 4 meses e 14 dias sofrendo de insuficiência renal crônica”, contou Valdemar.

Ainda de acordo com ele, em 31/12/2011, Doralice foi socorrida por um taxista em estado grave e levada ao pronto-socorro. “Ela ainda estava na fila de espera por uma consulta com o nefrologista e então a encaminharam com urgência para o Hospital Municipal de Araucária. Em 3 de janeiro de 2011 ela apresentava perda de memória, não respondia aos estímulos e tinha dificuldade para respirar. Após vários procedimentos, ela veio a óbito. Acredito que como não ela não fez hemodiálise, o acúmulo de toxinas, líquidos e sais minerais no sangue causou baixa da pressão arterial, dificultando a passagem de sangue e oxigênio para o cérebro, coração e demais órgãos. Ela morreu devido a um choque séptico, falência múltipla de órgãos, insuficiência renal aguda, sepse urinária, pielonefrite e insuficiência renal crônica, causas citadas na certidão de óbito. O que mais me revolta é que, mesmo tendo diagnóstico de problema renal crônico, ela só foi encaminhada para um nefrologista no dia 22/12/2011, quanto seu quadro de saúde já era praticamente irreversível. E esse atendimento, de fato, só ocorreu no dia 2 de janeiro 2012, um dia antes do óbito. Por que não a encaminharam antes, sendo que desde 08/08/2011 ela já apresentava sintomas da doença?” questionou Valdemar.

Saúde responde

A reportagem do Jornal O Popular entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde para esclarecer o que de fato ocorreu durante o tratamento da paciente Doralice dos Santos Lachovski. Sobre o caso, a SMMA disse ter verificado que o óbito ocorreu em 2012 e que na época, os prontuários eram físicos e utilizava-se um sistema chamado GIG, que apenas era um registro eletrônico (e sem assinatura), com a parte de observação feita manualmente e não consta nesse sistema, no entanto, todos os prontuários assinados.

Em razão do lapso de tempo, a Saúde argumenta que, para poder averiguar as informações de forma correta, com o ocorrido na época, é imprescindível analisar a realidade dos fatos, para poder dar uma resposta coerente e satisfatória. A Secretaria adiantou que já está em processo de busca dos prontuários e registros da época, uma vez que eram físicos e encontram-se arquivados em local diverso da sua sede, e coloca-se à disposição da família, que busca informações.

Ressaltou ainda que, por se tratar de dados pessoais sensíveis, prefere se abster de prestar informações públicas, sem autorização dos familiares.

Texto: Maurenn Bernardo

Publicado na edição 1290 – 02/12/2021

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