Jesus foi tentado pelo demônio no deserto durante quarenta dias e saiu-se vencedor. Não sucumbiu diante das ciladas do mal, mas, nos deixou uma grande lição de vida para cada um de nós. Ele foi igual a nós em tudo, menos no pecado, e nós, como seres humanos, somos desafiados também a vencermos as tentações do mal. Torna-se mais difícil devido a nossa fraqueza, as influências externas, uma série de convites que nos tornam tantas vezes vulneráveis e frágeis frente aos apelos mundanos. Os 40 dias são simbólicos, porque, na verdade, as tentações fizeram parte da vida de Jesus até o momento crucial no Getsêmani. Ali, diante da iminente condenação, ele suou sangue, dizendo: ‘Pai, afasta de mim este cálice, mas que se faça a sua vontade e não a minha’. E a tentação de fugir do calvário foi vencida, colocando toda a sua vida nas mãos de Deus Pai.

As tentações no deserto se resumem em três: os bens materiais, a sede de poder e a tentação contra Deus. Na primeira tentação, o demônio o desafia a transformar a pedra em pão e Jesus responde: ‘não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’. Na segunda, ele promete a Jesus o poder sobre todos os reinos do mundo se ele o adorar, e o demônio recebe então a resposta: ‘adorarás o Senhor teu Deus e só a ele servirás’. Não satisfeito, o espírito mau o leva para um lugar alto e o desafia a jogar-se lá do alto porque os anjos virão em seu socorro e não permitirão a sua queda. E Jesus então lhe dá a resposta final: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’. E o demónio se afasta e o deixa em paz.

A primeira tentação se refere ao uso das coisas materiais. Somos diariamente tentados a sermos gananciosos, com uma sede enorme de ter. O desejo de conseguir as coisas materiais, não importando como. É o uso errado das coisas deste mundo, como que elas fossem o centro e a razão de toda a nossa vida. As brigas por terras, das heranças que viram em verdadeiras guerras e discórdia entre os irmãos, o desvio, a corrupção, tudo isso demonstra a vitória do demônio na relação com as coisas deste mundo. O dinheiro, os bens materiais, são necessidades, mas, não podem ser o centro e a razão da nossa vida. ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus’.

A segunda tentação nos remete para o mundo do poder, o domínio sobre os outros, a sede de mandar, de massacrar, de se achar o dono dos outros. Quantas pessoas são profundamente dominadas pelo desejo de sentir-se o centro de tudo. Diz Jesus que os reis deste mundo mandam, dominam, massacram, mas, entre vós, não deve ser assim. Quem quiser ser o maior, o primeiro, seja aquele que serve. Servir a Deus como disse Jesus ao demônio significa colocar a sua vida a serviço dos outros, para o seu bem e a sua construção pessoal. Contra todo tipo de autoritarismo, de escravidão, de dominação, mas, estar sempre pronto a servir e a fazer o bem.

Por fim, a terceira tentação se refere à nossa relação com Deus. Exigir Dele demonstrações do seu poder, sobretudo, nas horas mais difíceis da vida. Como se Deus tivesse que fazer milagres diários para provar seu amor para conosco. Jesus pede ao demônio para não tentar ao Senhor, nosso Deus. Quantas pessoas querem diariamente provas de que Deus as ama, especialmente exigindo saúde ou cura, do contrário, não acreditam mais Nele? Essa tentação ignora o grande amor de Deus em todos os momentos da nossa vida. Desde o amanhecer até o anoitecer, recebemos tantas graças e bênçãos de Deus, sobretudo, a vida.

Publicado na edição 1301 – 03/03/2022

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