Padre André Marmilicz: Jesus sacia a nossa fome
Reflexão de Padre André Marmilicz sobre a multiplicação dos pães e a compaixão de Jesus pelas multidões famintas.
Jesus se dirige até o deserto e uma grande multidão segue atrás dele. Vê em Jesus o novo Moisés, que no deserto conduziu o povo de Deus rumo à terra prometida. Vendo as multidões famintas, abandonadas pelas autoridades políticas e religiosas da época, ele teve compaixão. Muito mais do que sentir comoção, ele se compadeceu, sentiu no fundo da alma a dor e o sofrimento das pessoas. Assumiu esse sofrimento como se fosse seu, preocupado como ajudar aquele povo tão carente e excluído. No meio da multidão, ele curou muitas pessoas, restituindo-lhes a dignidade pela vida. Essa sempre foi o jeito de ser do Mestre, indo ao encontro dos mais necessitados e sofredores.
Como a noite estava chegando e a multidão continuava ali, junto a Jesus, os discípulos ficaram preocupados e pediram ao Senhor que os mandasse embora. Essa atitude revela o desejo de se ver livre dos problemas que essa gente poderia causar. O Mestre, cheio de compaixão e misericórdia, pede que eles mesmos deem de comer àquela multidão faminta. Vemos nessa atitude, a preocupação sincera em como matar a fome de todos ali presentes. Havia 5 pães e dois peixes, que somados fazem sete, e significam a totalidade. Na verdade, Jesus responsabiliza a comunidade a encontrar uma saída àqueles que sofrem e passam necessidades.
Após a benção, mandou que os pães fossem distribuídos para todos, que eram em torno de 5 mil pessoas. Todos foram saciados e ainda sobraram doze cestos, que simbolizam os doze apóstolos, ou seja, todos os que viriam depois.
Este pão é o próprio Jesus, que se oferece a nós todas as vezes em que nos aproximamos da eucaristia. A eucaristia não é uma simples devoção, mais muito mais do que isso, é um compromisso de amor aos irmãos. Aproximar-se da mesa sagrada nos compromete a vivermos a partilha e a solidariedade. Do contrário, não compreenderemos a profundidade desse grande mistério. A eucaristia nos faz irmãos uns dos outros e nos impulsiona a sermos homens e mulheres de bem. Ao nos compadecermos daqueles que sofrem, a exemplo da multidão no deserto; a nos solidarizarmos com os que mais padecem. Se comungamos e permanecemos iguais, é sinal que não recebemos dignamente o corpo de Cristo.
Quando recebemos a eucaristia em nossas mãos, queremos dizer que estamos prontos a ‘sujá-las’ em prol daqueles que mais necessitam. Receber a eucaristia e permanecer indiferente diante das dores do próximo, mostra a nossa falta de compreensão diante desse grande mistério.
Edição n.º 1943
