A busca do poder sempre fez parte integrante da vida do ser humano. O desejo de mandar, de dominar, de ser o primeiro, de ser maior do que o outro, de ter a última palavra, de se impor, é uma tentação que sempre esteve presente no coração humano. No tempo de Jesus esta realidade não era diferente. A busca dos primeiros lugares era, inclusive, uma atitude considerada normal. Os detentores do poder gostavam de serem imortalizados pelos seus feitos e por suas conquistas. Faziam tudo para serem vistos pelos homens e elogiados por eles, num interesse claro e expresso de serem considerados os primeiros e os melhores. Esse modo de agir na época de Jesus era uma prática normal e desejada por todos.

Jesus quebra esta escrita, e começa a pregar algo totalmente novo e diferente. Ele não compactua com esse modo de agir dos fariseus e dos senhores do poder. No caminho a Jerusalém, que o levaria a morte, ele ensina aos apóstolos os fundamentos básicos da sua doutrina. Repreende os irmãos Tiago e João quando pedem a ele o privilégio de estarem um à sua direita e, outro à sua esquerda no reino dos céus. Os demais apóstolos se revoltam, porque se sentem injustiçados, pois, na verdade, todos eles gostariam deste lugar. Para Jesus, foi uma verdadeira luta mudar o pensamento dos seus discípulos. Eles foram educados na escola dos rabinos e também almejavam o poder, o domínio e os primeiros lugares.

Em Mateus 20, 25-28, Jesus nos dá a resposta para quem quiser segui-lo: ‘sabeis que os chefes das nações as dominam e os grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve; e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso servo. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos’. A proposta de Jesus está relacionada para o serviço, buscando superar a tentação do poder. Quem quiser ser o primeiro, na escola de Jesus, deve ser o servo de todos.

A palavra chave para entender a proposta de Jesus e segui-lo é: serviço. Gosto da imagem do garçom que serve. Um bom garçom aparece pouco, e quando se faz notar a sua presença, é porque fez algo inconveniente. No futebol se diz que um bom juiz aparece pouco, pois os donos do espetáculo são os jogadores. Assim também na vida comunitária, os que servem devem aparecer pouco. Quando a sua presença entra muito em evidência, com certeza, estão fazendo tudo para serem vistos, notados e bem falados. Colocam-se na atitude de senhores, que devem ser servidos e não como aqueles que servem.

O servidor é aquele que não mede esforços para fazer o bem, não em benefício próprio, para ser enaltecido, mas porque brota do seu coração o desejo de se doar na gratuidade. Como disse o próprio Jesus, quando pede aos seus discípulos a fazerem tudo por amor, que a mão esquerda não saiba o que a direita fez. A verdadeira alegria se manifesta quando a sua palavra, o seu gesto, a sua ação ajudaram alguém a ser melhor. Fazer o outro feliz é a grande mensagem da boa nova do evangelho. Quando alguém faz tudo pensando em si próprio, na sua vantagem, não entendeu absolutamente nada da mensagem de Jesus. Ser primeiro no reino de Deus é colocar toda a sua vida a serviço dos irmãos. Deixar o egoísmo de lado, que só pensa no seu próprio bem, para dedicar-se plenamente em prol da felicidade do outro. O bem, o amor, a ternura, a alegria que transmitimos para o próximo, volta para nós em forma de graças e de bênçãos. Como é bom servir! Isso é ser o primeiro no Reino de Deus.

Publicado na edição 1131 – 20/09/18

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