Nossa vida escolar é repleta de vivências que se eternizam na nossa mente. E quando pensamos nessas experiências, muitos professores fazem parte desses momentos tão marcantes. No caso do Colégio Szymanski, os profissionais que possuem mais tempo de casa contribuem de forma contundente para que a missão e os valores da instituição sejam eternizados.

Marcus Antonio Matozo é professor há 22 anos e há 21 leciona no Szymanski. Sua formação é em Geografia, mas já deu aulas de História e Sociologia no passado, quando isso era possível. Desde então, ele conta que muita coisa mudou, desde os velhos livros de chamadas com os intermináveis “picotes” preenchidos com as notas, para os LRCO – livro de registro de classe online atual.

“O público era outro, a formação inicial era outra, a sensação que tenho é que os alunos chegavam no ensino médio com mais conhecimentos com maior bagagem intelectual. Mas é sempre complicado fazer comparações, pois cada ‘tempo histórico’ carrega suas características, dentro das conjunturas daquele momento”, ilustra.

O professor afirma que o Szymanski sempre buscou dar autonomia aos professores, especialmente no desenvolvimento de projetos multidisciplinares, sempre incentivou o esporte (mesmo sem estruturas para isso), sempre buscou inovação. “Um exemplo aconteceu na chegada das TVs laranja, o colégio desenvolveu um projeto chamado TV-Szymanski, onde o diretor conseguia falar para todas as salas da escola, ao mesmo tempo, ao vivo, era sensacional. Creio que a marca registrada do colégio seja essa: estar aberto, abraçar e apoiar projetos”, declara.

Ele se sente parte dessa história e tem certeza absoluta que sua passagem pelo colégio vai deixar marcas no histórico do velho Szymanski. “Penso que muitos alunos, professores e funcionários, ao se lembrarem dos personagens da escola, sem pretensão nenhuma, irão lembrar do Professor Matozo, porque sempre entreguei o melhor de mim, deixei minha prontidão em ajudar, meu carinho, minha amizade verdadeira, independente a quem fosse! Sei também que é óbvio que nunca vamos agradar todo mundo; foram inúmeros ‘puxões de orelhas’, mas que sempre foram nas melhores das intenções”, confessa.

Por fim, ressalta que gestões vêm, gestões vão e a escola fica, o mesmo serve para alunos, professores e funcionários. “Portanto, sempre entregue o seu melhor, faça mais do que lhe é solicitado, porque no final o que vai ficar, o que irá marcar sua passagem, não será o que você deveria ter feito, mas, sim, aquilo que você fez sem ser solicitado, que foi sua parcela de doação ao próximo, à escola, à comunidade”.

A professora Maria de Lourdes de Andrade Petruy (Malu) está na educação há 31 anos, e no Szymanski há 20 deles. Iniciou como professora da pré-escola e séries iniciais e, a partir de 2003, passou no Estado, como professora de língua portuguesa. Sua graduação é Letras Português-Espanhol e também já trabalhou espanhol no Celem.

Nessas duas décadas, ela conta que presenciou muitos avanços no Colégio. “Quando iniciei, havia Ensino Médio no período matutino e vespertino em poucos estabelecimentos, portanto, tínhamos muitas turmas. Os alunos vinham praticamente de todos os bairros e até de municípios vizinhos, uma vez que muitos pais não desejavam que seus filhos, com 14 e 15 anos. estudassem no período noturno. O sistema educacional sofreu alterações, principalmente após 2020, com o uso das plataformas (mas isso em todo o Estado). Hoje, muitos alunos optam em fazer o curso técnico, porque têm afinidade com uma ou outra área. Também destaco aqui as tecnologias de modo geral, a ampliação de alguns espaços, a participação cada vez maior dos alunos (Grêmio Estudantil, projetos) e até a estrutura dos quadros das salas, do piso”, descreve.

Entre os momentos mais marcantes, a professora cita o reencontro com os ex-alunos, o desempenho nos vestibulares, nas redações de ENEM (alguns pontuaram 980), mas especialmente quando os estudantes dizem que aprenderam a gostar da literatura brasileira. “A Malu, acredito que é sinônimo de quem ainda acredita na educação, embora não seja fácil, de quem acredita no potencial de cada um e que se sente realizada com cada progresso. O Szymanski é um colégio que fez, faz e fará parte da história de muitos araucarienses. Espero que essa data possa se repetir por muitas décadas”, comemora.

Professora há 35 anos, Céliah Merante Dias Zubek leciona no Szymanski desde 1997, ou seja, há 29 anos. Sua formação é Língua Portuguesa, porém na Prefeitura foi alfabetizadora até se aposentar. Com o tempo, fez Pedagogia e Fonoaudiologia também. Para Céliah, a rotina do colégio sempre foi muito intensa, incluindo desde o término de cursos, invasões de gangues na década de 90 até a chegada da tecnologia.

“Os principais avanços que percebi no Colégio Szymanski foram a ampliação dos prédios (biblioteca, sala de artes, anfiteatro e, por fim, o ginásio de esportes) e a chegada dos laboratórios (Química e Informática). E um momento especial que marcou minha trajetória na instituição foi quando a comunidade impediu o fechamento do curso do Magistério, o que fez com que a SEED oferecesse o curso em outra modalidade”, relembra.

Ela afirma que a professora Céliah é aquela que resistiu a tantos governos, mudanças nas leis que regem a educação e fez parte da história de muitas famílias, aquelas em que pode lecionar para a vó, a filha e a neta. “No aniversário de 70 anos do Szymanski, espero que a comunidade escolar abrace o colégio.

Muitas mudanças estão chegando com a implementação do novo Ensino Médio Paranaense, com a reforma e troca das janelas, instalação dos aparelhos de ar condicionado. A escola está se modernizando, isso causa alguns transtornos, precisamos de todos buscando as melhores soluções e a empatia com o momento que estamos vivenciando”, pede.

Céliah ainda afirma que os alunos que passaram por ela e que hoje são professores também são figuras muito emblemáticas na comunidade araucariense. “Alguns se tornaram jornalistas, outros diretores de escola (André Gotfrid, Roberto Seima), enfermeiros, artistas, escritores (Cláudio Luciano Ornellas). Enfim, são pessoas que me fizeram a profissional que sou e os encontro trabalhando na farmácia, na prefeitura, na quitanda, e sempre escuto um ‘Lembra de mim, professora?’ Isso é gratificante!”

Edição n.º 1502. Edição Especial – Aniversário de Araucária: 136 anos