Era abril de 1996. Araucária ganhava um arquivo municipal, não apenas para guardar documentos, mas para preservar e manter viva a história da cidade. Criado pela Lei Nº 1040/1996, o Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres está vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Funcionou nas dependências do Museu Tingüi-Cuera desde sua criação até 29 de agosto de 2010, quando o prédio do Museu foi interditado por problemas em sua estrutura. O Arquivo foi então transferido provisoriamente para a sede do Centro de Informações Turísticas, na avenida Dr. Victor do Amaral, n° 1815, entrada da cidade. O endereço atual continua na Avenida Dr. Victor do Amaral, mas agora no número 352 – Centro.

Com quase 30 anos, o Arquivo é hoje um local que preserva, realiza pesquisas e compartilha a memória da cidade todos os dias. Seu acervo é riquíssimo, composto por documentos, fotografias, jornais e outros materiais importantes que ajudam a contar a trajetória do município e de seus moradores. Quase todo mundo já precisou do Arquivo para realizar um trabalho de escola, uma matéria jornalística, um TCC na faculdade, uma pesquisa pessoal ou mesmo a produção e publicação de livros e materiais históricos sobre Araucária. O Jornal O Popular, por exemplo, inúmeras vezes se beneficiou do acervo do Arquivo.

Para enriquecer ainda mais seu acervo, o espaço ainda realiza entrevistas com pessoas da comunidade, registrando memórias e histórias de vida que fazem parte do patrimônio cultural araucariense. “Aqui recebemos visitas de grupos, escolas e entidades, e participamos de entrevistas e produções como documentários sobre a história local. Para aproximar a população dessas informações, também compartilhamos conteúdos e curiosidades históricas nas redes sociais, como Instagram e Facebook”, afirma a equipe.

Ao Arquivo Histórico cabe ainda a responsabilidade pela classificação, higienização e ordenação de todos os registros que dizem respeito à história do Município de Araucária.

HISTÓRIA DA SEDE

Você sabia que até mesmo a atual sede do Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres possui uma história que merece ser contada? No terreno ficava a primeira usina termoelétrica de energia do município, entre os anos de 1920 a 1925, de propriedade do Sr. Rodolpho Voss. Posteriormente a usina foi vendida para os senhores Pedro Druszcz e José Druszcz e anos mais tarde, Pedro Druszcz se tornou proprietário do terreno em sua totalidade. Em 1951, o vendeu para o governo do Estado do Paraná.

136 anos: Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres, o guardião das memórias de Araucária
Posto de Saúde funcionou no atual prédio do Arquivo na década de 1990

Na década de 1950, o terreno que agora pertencia ao Estado, na rua Dr. Victor do Amaral, esquina com Paulo Alves Pinto, recebeu um novo prédio para abrigar o primeiro posto de saúde pública de Araucária. Segundo documentos do acervo do Arquivo, o Dr. Álvaro Cantador foi o primeiro médico a atender no local, sendo substituído pelo Dr. Amur Ferreira. O centro de saúde funcionou no local até 2009, quando seus serviços foram transferidos para o Núcleo Integrado de Saúde, em outro endereço.

Em 2012, após reformas, o prédio passou a sediar o Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres e o Centro de Informações Turísticas de Araucária. Dessa forma, uniu-se a preservação da história de Araucária a um prédio histórico, marcante para o município. Para melhorar a história, no dia 03 de julho de 2019, por escritura pública de doação, o Governo do Estado do Paraná realizou a doação do bem em benefício da Prefeitura Municipal de Araucária, sob cláusula de inalienabilidade e condição expressa de que nele se estabelecesse o Arquivo Histórico Municipal Archelau de Almeida Torres, sob pena de reversão do imóvel ao patrimônio do Governo do Estado.

136 anos: Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres, o guardião das memórias de Araucária
Usina Elétrica de Rodolpho Voss, na década. de 1930, em terreno do atual Arquivo

A última reforma do espaço ocorreu entre os anos de 2020 e 2022, quando o prédio passou a ser sede exclusiva do Arquivo Histórico. Assim, selou-se, definitivamente, este patrimônio público de característica histórica como eterno guardião da história de Araucária. As informações contidas nesse texto fazem parte de uma pesquisa feita pelas historiadoras Luciane Czelusniak Obrzut Ono e Natalia Piccoli.

O Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres recebe fotos antigas para incrementar seu acervo, as quais são devolvidas aos donos após serem digitalizadas. Para mais informações, acesse as redes sociais Facebook Arquivo Histórico Archelau de Almeida Torres e Instagram @arquivohistoricoaraucaria.

Edição n.º 1502. Edição Especial – Aniversário de Araucária: 136 anos