Em Araucária, há muitos anos, sempre que chove é a mesma coisa: o jardim Arvoredo, na região do bairro Capela Velha, fica debaixo d’água, causando transtornos para centenas de famílias, que veem o pouco que possuem sendo consumido pelas tempestades. Aliás, nem precisa ser uma tempestade, já que qualquer garoazinha mais forte já é motivo de preocupação para a comunidade que vive naquela área.
 
Embora a situação dos moradores do Arvoredo seja complicada, não podemos culpar as chuvas pela triste sina daquelas famílias. A culpa, como não poderia deixar de ser nestes casos, é do Poder Público, que permitiu ao longo dos anos passados, a invasão daquela área.
 
Sempre foi evidente que o local não reunia as condições necessárias para abrigar um loteamento. Era óbvio que toda chuva que caísse causaria alagamentos. Ora, a área margeia uma represa.
 
No entanto, mesmo com todas as evidências de que fixar residência naquele terreno era o mesmo que pedir para sofrer com alagamentos e enchentes; famílias desesperadas (outras nem tantos) construíram ali seus barracos. Eles fizeram a opção deles: sofrer. Quem não fez a sua opção (dever) foi o Poder Público, que deveria ter utilizado seu poder de Estado e feito cumprir o que as legislações municipais, estaduais e federais mandam e retirado àquelas pessoas do local.
 
Agora, o problema é muito mais difícil de se resolver. O Arvoredo é praticamente um novo bairro. Ganhou outros conjuntos: 21 de outubro, Sapolandia e Portelinha, só para citar alguns. São milhares de pessoas sub-vivendo na região. Neste contexto, a iniciativa da Prefeitura, com recursos do Governo Federal, de remover da região 174 famílias será apenas uma gota de água em meio a uma tempestade. É evidente que esta gota é importante, mas precisamos de soluções, que alcancem a totalidade do complexo do Arvoredo. Do contrário, melhor seria o Município criar um posto avançado da Defesa Civil na região, pois a próxima chuva, com toda a certeza, irá desabrigar centenas de pessoas novamente.

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