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Você acredita em milagres? Você tem fé? A fé e a crença em milagres também são parte da cultura de um povo. Quem nunca ouviu alguma história de prova de fé? Contados de geração em geração, muitos desses feitos que permanecem no imaginário popular fazem parte da nossa história, aqui em Araucária. A região do Tietê, por exemplo, é um local pontilhado por várias delas.

Uma das histórias do Tietê que tem passado de geração em geração diz que por volta do ano de 1893 ali vivia um abastado comerciante. Certo dia, bem na hora de começar a missa, estava ele dentro da igreja tratando de política com seus comparsas. O padre, então, veio chamar a atenção, dizendo que na casa de Deus não se podia tratar esse tipo de assunto. O homem, por sua vez, muito altivo, bradou em alto e bom som: “- Ora essa! Eu é que mando nesse lugar! Comigo nem Deus e nem o diabo podem! E se o senhor estiver incomodado, que reze a missa lá fora!”. E assim fez o padre, naquele dia rezou a missa do lado de fora. Acontece que poucos dias depois, na mesma semana, um vendaval assombroso assolou a região, alguns acreditam que tenha sido um furacão. O fato é que muitas casas foram destruídas, e nem a igreja saiu ilesa, de modo que o sino voou pelos ares e foi parar enterrado num banhado. No entanto, apesar do estrago material, nenhuma vida se perdeu, o que foi considerado um milagre, e a venda daquele homem que desafiou as forças divinas foi, literalmente, pelos ares. Ninguém sabe ao certo se essa história é verídica, mas o fato é que a igreja do Tietê já foi reconstruída quatro vezes, sendo a última em alvenaria em 1963.

Outra história aconteceu na década de 1940, quando o Brasil participou da Segunda Guerra Mundial e enviou soldados para lutar na Itália. Entre esses soldados estavam três jovens do Tietê – João Dzikovicz, Vicente Rompava e Aleixo Burda. Quando era vivo, Vicente Rompava costumava contar que em uma das batalhas a casa onde estavam vários de seus companheiros foi atingida por uma bomba e muitos deles ficaram soterrados. Quando Vicente e outros combatentes foram até a casa em escombros, parecia que nada mais poderia ser feito, e, apesar da insistência dos colegas em ir embora, Vicente não arredou e teimou em retirar dali seus colegas, nem que fosse sem vida. E foi assim que resgatou vários deles vivos, inclusive seu amigo Aleixo Burda. E os três soldados, filhos do Tietê, puderam voltar para suas casas vivos.

No Tietê existe um pequeno oratório dedicado a Nossa Senhora de Lurdes, construído em 1987 por Joaquim Burda e seu filho. Segundo ele, sua esposa, quando jovem, teve uma visão da santa enquanto varria o terreiro. Muitos anos depois, quando um frei rezava missa na propriedade, sem saber do ocorrido, a presenteou com uma imagem justamente de Nossa Senhora de Lurdes, o que causou bastante comoção entre os familiares, e foi o motivo da construção desse oratório.

A fé e as formas tradicionais de professá-la, assim como os locais considerados sagrados, podem ser configurados como patrimônio imaterial de um povo, pois contribui com aquilo que lhe dá identidade. A fé leva a feitos, e seus efeitos nos dizem quem somos, como indivíduos e como sociedade.

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Texto: Luciane Czelusniak Obrzut Ono

Publicado na edição 1203 – 12/03/2020

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