Desde o início do cristianismo, ele se caracteriza pela vida em comum. Os primeiros cristãos se reuniam
em comunidade para manifestar a sua fé, para partilhar a palavra, ouvir os ensinamentos dos apóstolos,
e dividiam tudo entre si. Não havia necessitados entre eles. O próprio Jesus ressuscitado vai se manifestar várias vezes para os apóstolos, sempre reunidos em comunidade. Muito significativa a passagem na qual Tomé não estava presente e, por isso, não viu o Senhor ressuscitado. Mas, no domingo seguinte, ele estava junto com os demais e pôde sentir a presença do Cristo vivo.

Outra coisa que chama atenção é o fato de que Jesus sempre lhes aparece no primeiro dia da semana, quando eles estão todos juntos, reunidos. Isso é muito significativo e, com certeza, quer nos fazer entender que o domingo é o dia em que todos os seguidores de Jesus devem estar em comunidade, porque é ali que se manifesta o ressuscitado. Muitas pessoas que professam a fé cristã, dizem que rezam em casa e que seria o mesmo que rezar junto com os outros. Eu sempre digo que rezar é sempre bom, seja sozinho, em casa, na rua ou em qualquer lugar que estiver, mas, fazer a experiência do ressuscitado só é possível no domingo, em comunidade.

Num mundo tão marcado pelo egoísmo, pelo individualismo, por uma preocupação quase que exagerada por aquilo que satisfaz e dá prazer, o cristianismo nos aponta um caminho diferente. A realização plena do ser humano só é possível quando a vida é partilhada com os demais. Juntos, somos mais fortes, mais animados, mais realizados e plenificados. Em comunidade podemos partilhar nossas dores, nossos sofrimentos, nossas alegrias e também nossos projetos. Dar um pouco de si em prol dos outros, nos realiza e nos faz mais felizes.

É mentirosa aquela propaganda que prioriza o individual em detrimento do comunitário. Na verdade, precisamos uns dos outros, não somos uma ilha, mas uma família.

Viver em comunidade é poder colocar a serviço dos outros os inúmeros dons que recebemos gratuitamente de Deus. Como é bom saber que a minha pessoa pode ajudar o outro a ser mais feliz! Existe muito mais alegria em dar do que em receber, já dizia São Paulo. Quando alguém descobre e vive essa máxima, preenche por dentro toda a beleza e encanto em servir, ajudar, auxiliar, fazer o bem. Isso tudo é ser cristão, pois, o próprio Cristo viveu toda a sua vida pensando nos outros, na saúde, na comida, na cura, naquilo que dignificava plenamente o outro. Se alguém se diz cristão, mas, é incapaz de partilhar, isso significa que ainda não entendeu a profundidade do seguimento a Jesus.

Só podemos manifestar profundamente a nossa fé cristã, vivendo como irmãos, em comunidade. Como é bom vivermos juntos, podendo levar um pouco de paz, de esperança, de coragem a quem vive ao nosso lado. Quando descobrimos essa verdade cristã, podemos dizer que estamos compreendendo e vivenciando o evangelho, a boa nova pregada por Jesus. E quando sentimos o gosto do encontro, plenificamos a nossa existência e brota de dentro de nós, a alegria que provém do interior, e, não algo superficial e passageiro. Vivamos plenamente a nossa fé em comunidade, pois, ali nos encontramos como seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus.

Publicado na edição 1308 – 25/04/2022

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