Apresentando um novo show para o respeitável público
Na cozinha de sua casa, Erne relembra e conta um pouco de sua vida

Será que isso é coisa de artista ou coisa de insano?”, se indaga aos risos Ernesto da Silva Maciel, quando se dá conta que passa um cafezinho, arruma a mesa, manda mensagem no celular, brinca com a cachorrinha e fala com a reportagem de O Popular sobre vários assuntos ao mesmo tempo na cozinha de sua casa. A personalidade do seu lar combina com a sua: as paredes verdes, a cortina florida, os imãs da geladeira e seus quadros abstratos pendurados compõem o perfeito cenário para sua presença forte, sempre com um sorriso no rosto, vestido com seu terno amarelo com gravata vermelha e sua bota dourada.

Hoje com 45 anos, o artista Erne, O Colono, nasceu em Eldorado, criou-se em Cascavel e depois viajou por todo sul do Brasil e subiu para desvendar um pouco do Mato Grosso. Em 2006 parou em Araucária, onde moram a mãe e alguns irmãos. Aqui descobriu a reunião dos poetas, que acontecia no último sábado de cada mês, onde conseguiu intensificar ainda mais seu talento descoberto muito cedo. “Esta história é longa pelo seguinte: o artista já nasce artista. Acho que tudo começou quando comecei a ler, lia tudo que via pela frente, placas, propagandas das lojas, lia um pedaço de tudo e até hoje faço isso”, conta.

A primeira composição musical surgiu quando tinha seis ou sete anos: “Falava de relacionamento, casamento, porque uma das poucas memórias que tenho deste cabra aqui (fala apontando para uma foto preto e branco de seu pai) é ‘puxando’ a mulher pelo cabelo”, conta relembrando um pouco de sua história cheia de altos e baixos. Mas não é só nas composições e músicas que se resume o trabalho de Erne. O artista se define como cantor, escritor, poeta e artista plástico. Tem um livro lançado de poesias: “Inspiração”, quatro álbuns gravados, dois DVDs, quadros pintados e muitas, mas muitas histórias de shows.
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Rebimbela da Parafuseta, Viroleta e Nicolau acompanham o artista

Dia a dia
Com dois despertadores tocando, Erne levanta perto das 6h40 todos os dias. Vizinho de sua mãe, sempre aproveita para fazer uma boquinha e depois vai para a rua, onde, comumente, ‘estaciona’ na Praça Vicente Machado para cantar para quem estiver passando. Em sua bicicleta, às vezes leva sua cachorrinha, a Rebimbela da Parafuseta, que vive em sua casa junto com os outros cachorros Nicolau e Viroleta. Suas roupas irreverentes fazem parte de sua identidade, assim como o cabelo, que não revela por nada o motivo da decisão do corte. “A primeira vez que cortei foi em 87, foi um ato de loucura, andava de terno e gravata, sapatinho engraxado. Quando tinha cabelinho normal ninguém me dava atenção, quando cortei novamente e usei a túnica xadrez, Araucária parou”, explica rindo. E completa: “Para mim esse corte tem um motivo grande, é um princípio”. E nem quando arrisco uma teoria para o corte, ele dá alguma pista: “Esse cabelo tem várias interpretações”.

Apesar de pensar e fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo, Erne é um cara calmo, a sabedoria do tempo lhe ensinou a ficar sozinho. “Já morei com umas loucas, mas gosto de sair e chegar a hora que eu quiser”. Mas, apesar disso, ele não é de ferro. Erne abre o coração e confessa que já teve um grande amor, para o qual até compôs uma canção chamada ‘Desilusão’. “Foi a pessoa que mais amei na vida, sofri por três anos, podia ficar com a mulher mais linda, mas era ela na cabeça”, relembra já aliviado. Mas não são só as coisas do coração que compõem as obras do artista, o artista fala o que vier a cabeça. “Não dou tema para nada, falo de tudo e nada. Minha obra é muito boa para mim, gosto do que escrevo, do que pinto, do que faço. O que eu faço eu tenho que aplaudir, quando mostro para alguém nem sempre ouço o que quero, mas sou um afortunado, apesar de tudo que passei”, conclui satisfeito com os rumos de sua vida.

Cantando pra galera
É rock, punk rock, pop rock, viola, MPB, samba rock… É uma variação incrível de sonoridades e temas abordados que se pode ouvir no trabalho de Erne. No próximo dia 26, às 19h, no Teatro da Praça, o artista apresenta o show “Erne convida”. Além dos músicos que sempre tocam com o cantor e compositor, a ideia é que quem quiser tocar, cantar ou interagir de qualquer forma, suba no palco e se sinta à vontade. A arrecadação dos ingressos vai se direcionar para a gravação do próximo CD de Erne. Os músicos convocam toda população para a apresentação. Não deixe de conferir o trabalho desse artista que representa nossa cidade.

Serviço
O quê? Show ‘Erne convida’.
Quando? 26 de maio.
Onde? Teatro da Praça?
Quanto? R$5,00.