Cartão postal de Araucária, chaminé de Guajuvira corre o risco de ser demolida
Um dos monumentos históricos mais importantes de Araucária está prestes a desaparecer. A chaminé de Guajuvira, que durante muitos anos tem sido referência para os araucarienses e parte da memória daquela região, entrou em processo de demolição.
Localizada perto da linha férrea, a chaminé pertencia à antiga olaria que ficava no local e que em 1988 foi destruída por um incêndio causado por um trem carregado de combustível que descarrilou, tombou e explodiu. Depois disso, a chaminé se manteve durante todos esses anos, como símbolo de Guajuvira e um dos cartões-postais da cidade de Araucária, representando uma memória viva das vítimas daquela tragédia.
Em 23 de dezembro de 2025, foi emitido um parecer assinado por um engenheiro civil da Secretaria Municipal de Obras Públicas, que comprovou o risco de ruína iminente e a necessidade de demolição da chaminé, devido aos danos na sua estrutura, construída com tijolos.
De acordo com o documento, a estrutura apresenta rachaduras de enormes proporções com deslocamento de paredes; há rachaduras na face voltada para a Rua dos Expedicionários; há outra na lateral da escada que servia de acesso ao topo da chaminé, o topo apresenta nascimento de vegetais do tipo parasitas, e nesse local é possível constatar que já ocorreu queda de alguns tijolos.

“A estrutura apresenta iminente risco de ruína podendo afetar a segurança dos cidadãos que habitam a localidade ou fazem uso das vias lindeiras. Diante do exposto, recomenda-se que seja efetuada a demolição da chaminé”, diz o parecer.
Após vistoria, a Defesa Civil solicitou à Secretaria Municipal de Urbanismo que fizesse as notificações necessárias para proceder com a demolição, já que se trata de uma propriedade privada, cujo proprietário faleceu e a área encontra-se sob responsabilidade dos familiares. A SMUR informou que os atuais proprietários já foram notificados e que, inclusive, o advogado que cuida do inventário da família, solicitou um prazo maior.
O Jornal O Popular procurou o advogado da família, através de contato fornecido pela própria família, porém não conseguiu contato até a última atualização desta reportagem.
Por todos os motivos citados, o processo de demolição segue tramitando e não há prazo exato para que alguma medida definitiva seja adotada – seja ela a demolição ou mesmo uma possível restauração da chaminé.
PREOCUPAÇÃO
O COMPAC – Conselho Municipal do Patrimônio Cultural disse que recebeu com surpresa e preocupação a notícia sobre a demolição da chaminé de Guajuvira, cujo processo está correndo desde dezembro do ano passado. “Não fomos chamados pra participar do processo em nenhum momento, e por isso o COMPAC se reuniu para analisar as possíveis respostas do poder público e dos órgãos competentes que foram por nós consultados, em relação ao que será feito para a preservação desse patrimônio da cidade. No momento, buscamos caminhos legais para uma possível intervenção nesse processo. Consideramos em primeiro lugar a segurança das pessoas que vivem no entorno da chaminé, mas também precisamos de alternativas para resguardar esse bem precioso para a história da cidade”, afirma Pedro Sfendrych, presidente do COMPAC.
Ele disse ainda que por se tratar de um imóvel inventariado, com interesse de preservação e de inegável importância para a identidade local, o Conselho acredita que as questões patrimoniais devem ser levadas em conta no laudo. “Também encaminhamos um pedido de orientação ao Iphan (órgão responsável pela preservação, proteção e divulgação do patrimônio cultural brasileiro), que foi prontamente respondido pelo técnico da entidade, com os passos que devem ser tomados. O primeiro deles seria solicitar uma avaliação técnica especializada, que levasse em conta as questões que envolvem a preservação do patrimônio cultural”, explica Pedro.
Edição n.º 1518.
