A Diocese de São José dos Pinhais oficializou uma medida que, na prática, já vinha sendo cobrada das Paróquias, Capelas, Santuários, Pastorais, movimentos, associações privadas de fieis e demais entidades vinculadas: a proibição de prêmios em dinheiro ou qualquer modalidade financeira equivalente nos festivais, ações entre amigos, rifas beneficentes ou demais iniciativas.

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No decreto assinado pelo Bispo Diocesano Dom Celso Antônio Marchiori em 8 de maio, ficam vedadas premiações em dinheiro em espécie, PIX, transferência bancária, cheque, criptomoedas, créditos eletrônicos, cartões pré-pagos, vales conversíveis em dinheiro, recompra do prêmio pela entidade promotora ou qualquer mecanismo equiparado a moeda.

“As campanhas beneficentes deverão preservar finalidade pastoral, religiosa, assistencial e evangelizadora inequívoca, observando transparência administrativa, moderação, prudência e conformidade civil e canônica. Somente poderão constituir premiação bens lícitos, determinados e compatíveis com a dignidade da missão eclesial, preferencialmente recebidos em doação formalmente comprovada e contabilizada. As entidades promotoras deverão observar integralmente as normas canônicas, a legislação civil aplicável, as normas administrativas diocesanas, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), diz o texto do decreto.

Ainda conforme as novas medidas, a Cúria Diocesana poderá expedir normas complementares, modelos de regulamento, orientações administrativas e manuais operacionais para adequada implementação desse decreto, que entra em vigor no dia 22 de novembro deste ano.

O Padre Marcos Lorenzo, Pároco do Santuário Nossa Senhora dos Remédios, disse que recebeu com serenidade e obediência o decreto do Bispo Diocesano referente à legislação que não permite a utilização de dinheiro em espécie como premiação.

“Como sacerdote, compreendo a importância de agir sempre em conformidade com as normas da Igreja e com a Lei Federal. Reafirmo meu compromisso de seguir fielmente as orientações da Diocese, prezando pela transparência, responsabilidade e testemunho cristão. Tudo o que realizamos em nossas comunidades deve refletir ética, respeito e comunhão. Caminhamos unidos, com fé e consciência, em obediência às autoridades constituídas”, declara.

Na opinião do Padre Marco Aurélio, vigário da Paróquia Nossa Senhora das Dores, Araucária tinha essa cultura, como em toda a Diocese, de ter prêmios em dinheiro e com valores muito altos. “Tanto que a Diocese foi procurada pela Receita Federal, que aconselhou a suspensão das premiações em dinheiro por precaução, pois como todos tem conhecimento, hoje em dia temos muitas fraudes e lavagem de dinheiro. Essa medida visa evitar futuras intercorrências na prestação de contas desses valores e também por caracterizar ‘jogos de azar’, que no Brasil não são legalizados”, explica.

Padre Marco lembrou ainda que a CNBB, pela própria coerência da Igreja Católica, aconselha que os bingos não sejam o carro-chefe das festas. “Os bingos podem ser realizados, mas não podem se tornar uma espécie de ‘vício’, devem ser apenas um espaço de confraternização e diversão dos fieis”, declara.

Edição n.º 1517.

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