Não raras vezes em nossa vida, sentimentos ruins tomam conta dos nossos pensamentos e de nossa alma, seja lá o que isso for. Com eles, vem a sensação de impotência, de que o melhor é desistir das lutas, abrir mão dos sonhos, abandonar a esperança de uma sociedade mais justa, se entregar às facilidades da politicagem vil, aceitar que “as coisas são assim mesmo”, se curvar diante da corrupção e, por quê não, tentar lograr proveito do público em benefício próprio. Todo ser humano está sujeito a ser tomado por tais sensações. Eu, obviamente, também.
 
Humano como sou, fui tomado por esta onda de sentimentos nos últimos dias. Foi como cair num poço, mas um cujo fundo parecia não chegar nunca. Eu continuava a cair e quanto mais caia, mais coisas ruins tomavam conta da minha mente. Perguntava-me se era eu quem estava errado. Questionava-me se devia me calar e por quê as outras pessoas também não gritavam. Fiz-me muitas perguntas. E quase cedi. Quase me retirei de cena. Assim como Anakin Skywalker, quase fui levado para o lado negro da força. Assim como Harry Potter, faltou pouco para o Chapéu Seletor me colocar em Sonserina ao invés de Grifinória. O saco em minha cabeça quase fez com que “eu pedisse pra sair”. Quase a força do Um Anel fez com que eu cedesse ao olho negro de Sauron. E paro por aqui com as analogias baseadas na cultura pop contemporânea.
 
Entretanto, como já diria Renato Russo “quando tudo está perdido, sempre existe um caminho, quando tudo está perdido, sempre existe uma luz” (putz, havia prometido parar com as analogias…). E a “minha luz” foi um cidadão brasileiro. “Meu caminho” foi Rui Barbosa. Na estante empoeirada do meu quarto vi um livro com uma coletânea de textos dele. Meus amigos, os discursos de Rui Barbosa nunca foram tão atuais e jamais poderiam ser encaixar tão perfeitamente com a situação que vivenciamos em Araucária como agora. Certa vez, por exemplo, num discurso no Senado Federal, em 1914, ele disse: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
 
Ou seja, Rui Barbosa, já denunciava os maus na política no início do século XX. Quem sou então para perder a esperança e entristecer-me diante da corja politiqueira que habita Araucária atualmente. “Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não esqueço a fraternidade pela tolerância. Eu não substituo a fé pela superstição, a realidade pelo ídolo”. Este é outro ensinamento do estadista Rui Barbosa.
 
E por fim, valho-me de outra máxima do mestre para levantar o moral e continuar lutando com as letras por uma Araucária melhor: “Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado!”. De ânimo renovado, sigo em frente!
 
Até semana que vem pessoal. E, não se esqueçam, caso tenham um tempinho, comentem este texto.

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