O dia 28 de outubro é a data comemorativa dos que dedicam sua vida profissional aos órgãos públicos da administração direta do governo federal, dos estados e dos municípios. Em contato direto com a população e com vencimentos e vantagens de conhecimento geral, grande polêmica envolve o modo que as esferas de governo administram seu pessoal. Não poderia ser diferente, pois desde o mais alienado cidadão até o mais esclarecido, todos sabem que os recursos ali utilizados pertencem a todos. As carências de um país em desenvolvimento, com heranças coloniais e um período imperial modelado além-fronteiras e de uma república assentada em políticas elitistas e ditaduras de escassa participação popular, fazem com que haja um ressentimento com as estruturas públicas de atendimento à população. É forçoso entender boa parte deste sentimento, pois serviço público de qualidade é possível mesmo que os recursos públicos não sejam abundantes. No Brasil colônia, aventureiros de todos os naipes chegavam à colônia para explorar o máximo possível e voltar ricos ao seu país de origem. Para sua atividade e garantia de que parte da riqueza acumulada fosse carreada aos tronos dos países coloniais, formatava-se o governo necessário e os servidores para cumprir tal meta. Os governantes atuais são escolhidos em processos eleitorais denominados livres e diretos. Eles estruturam o serviço público nos diferentes poderes conforme entendem que devem proceder e de acordo com as cobranças que recebem. É óbvio que os servidores sempre tiveram e ainda tem um importante papel no norteamento e no resultado final das tarefas que desempenham, mas não há como ocultar que os dirigentes detém a palavra final sobre o rumo a ser seguido.

Tomando ao pé da letra a opinião pública parece que não há o que comemorar, pois há muito a ser corrigido e redirecionado em todos os aspectos. Porém, desprestigiar o serviço público e o servidor é meta daqueles que são contra a promoção do crescimento social. No sistema capitalista, predominante no hemisfério ocidental, o lucro nas atividades humanas é lícito e estimulado como forma de acesso aos bens que o desenvolvimento proporciona. Mas, no serviço público o bem estar e a perspectiva de um bom futuro para a maioria precisam ser o objetivo permanente. Como todo cidadão, o servidor público tem direito a ter sua preferência por ideologias ou líderes que julgar apropriados e também de montar um patrimônio pessoal para uma vida digna. O problema surge quando ele, e pior ainda, suas entidades de representação forem motivadas pelos interesses pessoais e corporativos. Comemoremos o Dia do Funcionário Público, mas estejamos sempre atentos à crítica e ao debate que levam ao aprimoramento. A sociedade precisa de serviço público de qualidade, feito por servidores eficientes e comprometidos com a qualidade desejada. Parabéns, servidor público, pelo seu dia!

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo

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