Embora o Brasil seja conhecido como o país do carnaval e do futebol, sequer é possível imaginar que todos os brasileiros gostem destes eventos. Incontestável é que eventos futebolísticos ou carnavalescos envolvem grandes e apaixonados públicos. Mesmo quando não sejam grandiosos e não tenham cobertura dos meios de comunicação a paixão está presente e parcela significativa da população participa ativamente do carnaval e do futebol, nas mais diversas épocas e versões. Ainda, além dos jogadores e passistas de escolas de samba, um grande número de pessoas e empresas tem suas vidas e renda significativamente ligadas às duas atividades. A possibilidade de não-realização dos jogos da Copa do Mundo de futebol da Fifa em Curitiba já deixou o setor hoteleiro da capital à beira de um ataque de nervos. A Fifa reservou 13 mil leitos de hotéis da cidade, desde 2010, e os estabelecimentos não tem reservas para outros eventos corporativos pois deixaram o período somente para hospedar torcedores. A Associação Brasileira de Hotéis do Paraná (ABIH-PR) calcula que o prejuízo do cancelamento dos jogos seria de pelo menos R$ 70 milhões, irrecuperáveis, já que não haveria tempo para o agendamento de convenções ou outras atividades que costumam elevar a taxa de ocupação hoteleira. Isto para ficar apenas no setor de hospedagem, que tem 88 % dos leitos de todo o país reservados para a Copa. É difícil avaliar o prejuízo das demais áreas, pois a indústria turística envolve muitos setores, como o de transportes, alimentação e outras áreas do comércio. Pessoalmente, nunca freqüentei estádios de futebol e pouco participei dos festejos de momo, como se dizia antigamente, portanto não tenho simpatia pessoal por nenhum dos dois gigantescos eventos que sacudirão o país em 2014. Na época em que se decidiu que o Brasil sediaria o evento da Fifa como oportunidade para se destacar mundialmente, não protestei contra a candidatura pela oportunidade favorável que surgia para nosso país, a qual ainda vislumbro como possível. Além do mais, foram governantes democraticamente eleitos que, em nome de todos os brasileiros, decidiram por sediar o maior evento futebolístico mundial. Continuo sem apreciar futebol, não pretendo obter qualquer vantagem com a Copa 2014, e no Carnaval irei para o interior como rotineiramente faço. Defendo e respeito o direito de quem expres¬sa seu descontentamento com o apoio que o governo dá aos dois eventos, mesmo com o significativo aspecto comercial envolvido. Agora, ser contra a Copa e participar de eventos que tentem impedir sua realização, depois de que quase todas as despesas já foram feitas, me parece ser falta de compreensão adequada. Ou, pior, ao tentar passar a ideia de ativismo social, muitos serão usados para fins eleitoreiros e em prejuízo do futuro do país. É doído ver que a difícil e trabalhosa conquista da liberdade de expressão seja usada por quem não se preocupa e não sabe o quanto é importante mantê-la. É válido ter opinião contra a realização da Copa da Fifa no Brasil, mas prejudicar sua realização inclusive por atos de corrupção e incompetência é pura falta de patriotismo. Ou uma recaída no complexo de vira-latas, do qual parecía que o povo brasileiro estava se livrando.

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo

 

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