A recente notícia sobre a trágica morte de Gabriel Ganley, fisiculturista de apenas 22 anos, tendo a cardiomiopatia hipertrófica como provável causa, acendeu um sinal de alerta geral. É natural que o medo apareça. Nos consultórios, o reflexo foi imediato, com pessoas assustadas segurando seus exames: “Doutor, meu eletrocardiograma deu alteração de hipertrofia, eu corro risco de morrer?”. Se você também passou por esse susto ou tem um exame guardado na gaveta, a minha primeira resposta é: calma. Sabia que até 10% dos eletrocardiogramas podem apresentar esse dado? Vamos entender juntos o que é essa morbidade e desmistificar esse resultado.

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Para entender a cardiomiopatia hipertrófica, imagine o coração como uma bomba hidráulica feita de músculo. Nessa condição, que é de origem genética, as paredes do ventrículo esquerdo (a principal câmara que bombeia o sangue para o corpo) tornam-se excessivamente grossas. Esse engrossamento desproporcional faz com que o espaço interno diminua e o órgão trabalhe sob intensa pressão. Além disso, as células musculares crescem de forma bagunçada, o que acaba quebrando a harmonia da condução elétrica do coração.

Mas por que o eletrocardiograma assusta tanta gente se a doença real afeta apenas cerca de 0,5% da população? O segredo é que o “eletro” funciona como um alarme ultra-sensível: ele apita por qualquer coisa. Se você é jovem, magro, pratica musculação ou tem pressão alta, as ondas elétricas na sua pele naturalmente parecem maiores. O aparelho lê isso e carimba no laudo a palavra “Hipertrofia”. Na imensa maioria das vezes, porém, não é a doença genética, é só o seu coração adaptado ao seu biotipo ou à atividade física.

E quando a doença realmente mata? O perigo real mora no esforço extremo sem acompanhamento. A desorganização das fibras musculares pode gerar um curto-circuito elétrico, disparando arritmias graves. É isso que causa a trágica morte súbita em atletas que infelizmente não sabiam que tinham o problema.

O meu recado para você é simples: prevenção sim, pânico não. Um eletrocardiograma alterado não é uma sentença, é apenas um convite para investigar com um ecocardiograma. Mesmo para quem tem a doença, a medicina hoje oferece tratamentos modernos e desfibriladores que garantem uma vida normal e longa. Se o seu exame apontou algo, não sofra sozinho procurando respostas na internet. Procure um cardiologista de sua confiança. Cuidar de si é o melhor caminho para viver com o coração tranquilo.

SERVIÇO

O doutor Emerson Albertasse atua com o CRM 31.694 na Clínica São Vicente, que está localizada na Rua São Vicente de Paulo, n.º 250, no centro de Araucária. O telefone/WhatsApp para contato é o (41) 3552-4000, e o site da Clínica é o www.csv.med.br.

Edição n.º 1517.

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