Volta e meia ouço dizer que políticos de nossa cidade têm o nefasto hábito de exigir que seus assessores comissionados lhe destinem parte do soldo que recebem mensalmente. Particularmente, prefiro não acreditar. Talvez isto aconteça na Suíça, mas aqui em Araucária, não! De jeito nenhum!

No entanto, só para que possamos fazer com que este texto flua, conjecturemos que tal promiscuidade exista. Conjecturemos mais: que tal safadeza seja praxe, tanto nos poderes Executivo quanto Legislativo. Agora, eu lhes pergunto amigos leitores: quem está sendo mais corrupto nesta estória? O político que propõe que seus cargos em comissão devolvam parte de seus salários para os seus sujos bolsos ou o comissionado que se sujeita a isto?

Confesso que tenho certa dificuldade em formar uma opinião a respeito. Refuto ainda a ideia de que alguém envolvido nessa roda de corrupção acredite que tal promiscuidade é em prol de um bem maior. A única certeza que tenho é que tanto o político quanto o CC que repassa parte de seu soldo são desonestos. Mas não sei dizer qual deles é mais! Isto, claro, considerando que esse tipo de coisa acontecesse em nosso município.

Em Araucária, existem hoje 322 cargos em comissão na Prefeitura e outros 101 na Câmara de Vereadores. Embora considere tais números um vergonhoso exagero, quero me abster desta discussão, pelo menos neste momento. Somados, temos que os cofres públicos municipais pagam os salários de 423 CCs. Pessoas que – em minha opinião – deveriam ser os mais inteligentes, os mais dedicados. Enfim, profissionais capazes de realmente fazer a diferença, fossem na Prefeitura, colaborando para que o cidadão tenha serviços públicos mais dignos; fossem na Câmara, auxiliando nossos edis na fiscalização do Executivo e na proposição de leis que efetivamente melhorassem a nossa querida Araucária. Logo, profissionais desse calibre não se sujeitariam a dividir o seu salário para enriquecer ou mesmo alimentar a politicagem medíocre feita por esse ou aquele político.

Agora, se existe algum CC que topa repassar parte de seu vencimento para quem lhe ofereceu o emprego é porque se considera um verdadeiro zero à esquerda. Ora, é repugnante pensar que uma pessoa não valoriza nem o seu próprio emprego. Sim, porque entregar para outrem parte de seu salário é o mesmo que admitir que não é digno de toda aquela quantia, que não fez por merecer, que não é competente o suficiente para ficar com tudo o que o Estado paga pela função que ele deveria estar exercendo. Para resumir: o CC que faz repasse é como o usuário de drogas, ambos ajudam a sustentar o crime. O primeiro a corrupção e o segundo o tráfico. Mas, graças a Deus que estas coisas não acontecem em Araucária, são apenas lendas…

E, você, amigo leitor, o que pensa sobre o assunto. Dê sua opinião e até semana que vem!

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