Ao longo das últimas semanas são vários os relatos de que a Guarda Municipal (GM) estaria postergando propositadamente o atendimento de algumas ocorrências classificadas por eles como de menor gravidade.
Oficialmente, no entanto, não teria havido por parte da Secretaria Municipal de Segurança Pública (SMSA) nenhuma mudança no protocolo de atendimento a essas ocorrências. Isso reforça a informação de que parte da corporação estaria fazendo uma espécie “operação tartaruga”, como forma de pressionar a administração municipal a ceder a pressões salariais.
Os guardas municipais estariam reivindicando um aumento no seu salário-base, bem como outras gratificações. Hoje, segundo dados do Portal Transparência do Município, nenhum membro da corporação recebeu, bruto, vencimento inferior a R$ 5 mil. Os rendimentos dos GMs no último mês variaram entre R$ 5.226,39 e R$ 17.995,97.
Em fevereiro de 2025, por exemplo, 112 guardas receberam valores brutos na casa dos R$ 5 mil. Essas guardas são os com menos tempo de casa. Outros dez guardas tiveram vencimentos na casa dos R$ 6 mil. 14 guardas receberam salários na casa dos R$ 7 mil. 25 na casa dos R$ 8 mil. 26 na casa dos R$ 9 mil. 19 na casa dos R$ 10 mil. Outros 19 na casa dos R$ 11 mil. 12 na casa dos R$ 12 mil. 16 na casa dos R$ 13 mil. 12 na casa dos R$ 14 mil. Outros dois na casa dos R$ 15 mil. Um na casa dos R$ 16 mil e, finalmente, 5 receberam vencimentos acima de R$ 17 mil. Todos esses dados são públicos e podem ser acessados por qualquer pessoa.
Segundo apurado por esta Coluna, esse movimento dos guardas municipais não estaria sendo capitaneado pelo sindicato que representa a categoria, o SIFAR. Deste modo, legalmente não pode haver nenhum tipo de retardo proposital no atendimento a ocorrências, já que a entidade sindical não deflagrou qualquer movimento de negociação com a administração municipal específico para a GM.
Em conversas com guardas municipais, eles afirmam que a demora nesse tipo de atendimento acontece também porque o atual comando da corporação teria diminuído ainda mais o número de guardas no chamado serviço operacional, que é aquele que fica no atendimento a ocorrências.
Guardas teriam sido retirados das ruas para formação de uma banda musical, para reforço da equipe Maria da Penha, para serviços administrativos, para atender a ligação de chamada de ocorrências. Hoje, embora oficialmente sejam quase 300 guardas municipais nos quadros da Prefeitura, em torno apenas de 120 estariam efetivamente no serviço de rua.
Edição n.º 1459.