O assalto | O Popular do Paraná

O assalto

4 de fevereiro 2021

Iéu non tendo custume de trancar casa quando vai pra róça ou enton pra cidade, inté proquê chave da porta uns quinze ano fazendo que perdéu no banhado e tranca das janela son do témpo do méu avô, enton se ficando uma cóisa aberta que fique tudo mésmo, ansim que tém génte em casa sempre parecéndo. Despóis iéu cunfiando mais na méia dúzia de ganso que nos sete cachóro, os ganso non von atráis de iéu e cachorada acompanha na estrada, na róça e das véis inté na vila. Quando gansarada começa beréro iéu sempre sabendo que génte chegando estando, pór iésto que chamon ganso de cachóro de polaco, mais tambéi podendo sér chamado de campainha de polaco. Mais toda iésta segurança natural non adiantando de muita cóisa, iéu se achegando de volta do trabaio na róça, quando abrindo porton, saiéron do mato tréis rapaiz com umas méia de muiér infiada na cabéça, me apontaron um revólve e disséron que iésto sendo um assalto, que iéra pra iéu non se mechér se non iéles íon meter bala. Iéu ficando ansim ispantado, nunca viu um ladron de ton pertinho, iéu sempre pensô que ladron usasse iéstas camisa de time de futebol que ném tém nos jornal. O mais gordo falando pra iéu ir entrando na casa pra iéles fazér serviço, se fumo iéu na frénte com arma apontada, cachorada com rabo balançando viéron atrais e os ganso quando viron que iéu tava acompanhando os visitante ném se mechéron. Entremo na cuzinha e o magrinho alto falo pra iéu que sabendo que iéu tendo dinhéro iscundido, enton iéu falô que tém mésmo, só que non se alémbra onde inscondéu, fais uns vinte cinco ano que ganhô dinheron e pra cumemorar tomô umas cachaça e quando acordô non sabendo onde ponhando. O mais bacho falô enton pra iéu non dar uma engraçadinho que se non iéles queimavon iéu com revolver, iéu respondeu se non for engraçadinho ninguém fica léndo coluna do Isidório no jornal. O Gordo gritô pra iéu buscar dinhéro se non matavon iéu. Iéu preguntô se pélo menos iéles fazion favor de incomendar os Kuque, as broa e xaxixo pro velório pra non incomodar os parente. Iéles ficaron tudo brabo de réiva e começaron dar pontapé nas cadéra, na mésa e jogar no chon, as panela, os enfeite de parteléra, enton iéu falando que se iéles non queréndo cóisa de valor, um zoiô pra ótro e fizéron que sim com cabéça, enton iéu fói até armário e pegô um porta retrato com fotografia de famia intéra batida a mais de quarenta ano, que sendo a cóisa de mais valor que iéu tendo, as lembrança de uma famia unida, com pai, mãe os irmon tudo fazendo pose de atrista, que despóis que sozinho ficando alguma cóisa faltando pra completar filicidade, a union e o amor puro, sém diferença, onde um quer bém do ótro e se ajudon na conquista, na aligria e na desgraça, e ofereceu a fortuna que tava nas mons pra iéles. Os ladron se zoiaron, tiraron as méia da cara, iéu inté viu lagrima coréndo nos zóio do gordo, bacharon revolver e ponharon mon nos bolso e cada um déu déizon pra iéu. Pidiron disculpa e foron indo imbóra e disséron pra iéu non seguir iéles de jéito ninhum. Iéu ficô drénto de casa quando iscuitô os ganso berando, coréndo e bicando a bunda dos ladron que dava dó, bém iéles que pidiron pra iéu ficar drénto de casa. Desgracéra Mésmo!!!

Publicado na edição 1247 – 04/02/2021

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