A conversa durou poucos minutos, mas foi interessante. Estávamos no saguão da Prefeitura. Os peixinhos nadando ali no laguinho que ornamenta aquele espaço, as pessoas passando de um lado para o outro, despreocupadas, funcionários municipais circulando com processos nas mãos, telefones tocando ao fundo… Enfim, era um dia como qualquer outro.

Deixando as divagações de lado, a parte mais interessante dessa conversa que travava foi uma expressão cunhada por meu interlocutor para resumir o que é o poder público municipal atualmente: uma prostituta moribunda. É forte? Sim, é forte, porém encaixa-se como uma luva para o que vemos acontecer nesta cidade atualmente.

A Prefeitura se tornou uma prostituta moribunda. O Município se tornou um prostituto moribundo. Todos querem usufruir dela (e) e dane-se a saúde da coitada (o). Aqui, só porque pagamos certa quantia em impostos ou só porque prestamos algum tipo de trabalho, nos achamos no direito de sugar o poder público ao extremo, sem se preocupar se ele tem ou não condições financeiras de suportar tamanho apetite.

E essa ânsia em secar a pobre prostituta moribunda começa com os políticos, seja os do Executivo ou do Legislativo, que a sangram com a nomeação de cargos em comissão desnecessários e, dizem, com acordos nada republicanos que não podem ser revelados à luz do dia ou da noite, mesmo aquelas mais escuras. A comilança passa ainda por muitos fornecedores, empresários sujos de Araucária e região, que prestam serviços porcos mesmo sendo muito bem pagos para fazê-los de maneira decente. Do mesmo modo, há ainda servidores que nunca estão satisfeitos com aquilo que a pobre prostituta lhes oferece e querem porque querem, mais… sempre mais, mesmo sabendo que se a judiada meretriz morrer os maiores prejudicados serão eles próprios.

E nesse triste espetáculo que se tornou o estupro coletivo da pobre prostituta moribunda também temos a população, que – ora – quer se aproveitar daquele corpinho esquelético da Prefeitura. Talvez não tanto quanto políticos, fornecedores e empregados, mas uma apalpada que seja só para não dizer que ficou de fora da farra. Esses são aqueles que não querem que a cidade lhes proporcione possibilidades e sim facilidades. São os que não brigam por uma
Educação de qualidade e sim por uma bolsa disso ou daquilo. São os que querem ser atendidos mais rápido no NIS, mas não se preocupam em levar uma vida razoavelmente saudável para evitar de irem parar no NIS. São os que exigem porque exigem uma vaga na creche, mas foram incapazes de se planejar familiarmente na hora da concepção do filho e assim por diante.

E, assim, cada um a seu modo, todos vamos sugando a pobre prostituta moribunda. Comentários são bem vindos. Até semana que vem!
 

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