Araucária é um município masoquista. Só isso explica essa nossa tendência a assumirmos compromissos que nos farão sofrer mais cedo ou mais tarde. Nossos governantes, por consequência, também devem ser adeptos dessa busca pelo prazer que a dor, seja ela física ou mesmo emocional, proporciona.

Digo isso porque, por estas bandas, não interessa quem seja o governante, volta e meia aparece um problema que poderia ter sido facilmente evitado com um pouco de planejamento. É o caso, por exemplo, dessa história do subsídio do transporte coletivo com o Município de Contenda, do custeio das séries finais do Ensino Fundamental, do excesso de postos de Saúde em regiões onde a densidade populacional é insignificante, do tal do dia sem vínculo de parte dos professores da rede municipal de ensino e mais recentemente a história do Hospital Municipal de Araucária (HMA), só para ficarmos com alguns exemplos.

Foquemos no caso do HMA. Ora, é óbvio que a abertura do tal pronto socorro da unidade, feito em 2012, quando entrou em operação o SAMU (outro erro) iria aumentar de maneira significativa os custos operacionais do hospital. Assim como é cristalino que uma cidade de cento e poucos mil habitantes não teria condições de arcar com os custos dessa ampliação dos serviços sem descobrir outras áreas. Talvez poucas pessoas tenham parado para pensar nisso, mas só o HMA custa hoje para o Município algo em torno de R$ 30 milhões anuais. Se incorporarmos o reajuste que a entidade que o administra anda dizendo que tem direito esse custo sobe para R$ 40 milhões. Prezados, considerando esse último valor, se o HMA fosse uma secretaria, ela seria a quarta que mais recebe recursos do tesouro municipal. Só perderia para Educação, Saúde e CMTC.

É por isso que eu digo que somos um Município masoquista. Afinal, qualquer um que não fosse adepto da prática e que tivesse feito essa continha lá quando se discutia a abertura do pronto socorro e início das operações do SAMU teria deixado de lado essa história. É óbvio que para aqueles que foram salvos por uma ambulância do SAMU e atendidos com a agilidade necessária no PS do Hospital, não vão concordar comigo e nem tenho tal pretensão. O que quero é chamar a atenção para o fato de que – enquanto cidade (que a internet nos ensina ser uma área densamente povoada onde se agrupam zonas residenciais, comerciais e industriais) – esse dinheiro que querem que despejemos no PS seria mais bem utilizado em outras áreas, inclusive salvando mais vidas, se o destino fosse, por exemplo, a melhoria da atenção primária à saúde, que é aquela oferecida no postinho perto de casa.

Precisamos parar de uma vez com essa Síndrome de Guajuvira dos nossos prefeitos, onde o gestor do momento quer sempre e ao mesmo tempo ferrar e se parecer com seu antecessor (a definição é confusa mesmo!). Sim, porque creio que aquele que mandou abrir o PS o fez também para deixar claro que o hospital era um saco furado de dinheiro público ao mesmo tempo em que tentou mostrar que era melhor do aquele que criou a unidade, pois a aperfeiçoou com a abertura do pronto socorro. É pensando, por este prisma, o Município pode até ser masoquista, porém os governantes são sádicos.

Resumindo, embora nossos governantes fiquem de enrolação, eles sabem o que é preciso ser feito no caso do HMA: fechar o pronto socorro e, se necessário, acabar com a integração do SAMU, reorganizando o HMA de modo a diminuir seu custo operacional. Com isso, passaríamos a ter um hospital mais enxuto, mas que atenderia com qualidade a grande maioria das necessidades dos araucarienses.

Comentários são bem vindos. Até semana que vem!

 

VEJA TAMBÉM

Compartilhe