Um conhecido me parou no saguão do plenário da Câmara de Vereadores na semana passada para dizer que os buracos que existiam no asfalto da rua onde ele morava haviam sumido. Fiquei feliz com a notícia. Afinal, isto era sinal de que a Prefeitura os havia tapado. Ledo engano. Meu amigo continuou: é que agora não dá mais para ver os buracos porque o mato os cobriu.

Seria cômico se não fosse trágico, já diriam os adeptos dos bordões. Em Araucária, esta é a opção do cidadão: reclamar dos problemas mais recentes. Temos que priorizar a incompetência dos nossos governantes: ou reclamamos do mato ou dos buracos nas ruas. Ou exigimos que a buracada seja tapada ou pedimos asfalto nas ruas somente ensaibradas. Ou reclamamos da falta de professores ou da qualidade do ensino. Ou reclamamos da falta de médicos ou da falta de remédios. Ou falamos mal da cahorrada na rua ou da cachorrada na política. Ou reclamamos da qualidade da merenda ou da falta da merenda. Ou criticamos a quantidade de cargos em comissão ou o valor dos salários que são pagos a eles. E assim por diante.

Aquele cidadão que não prioriza os problemas na hora de reclamar, pois é afetado por eles de forma global, fica com a pecha de chato, ou pior, de “oposição”, palavra esta muito prostitualizada nesta cidade. Aqui, quem critica é considerado de oposição, quando, na verdade, é apenas um cidadão indignado em ver que o município que ele escolheu para viver está jogado às traças. Ora, todo municípe tem o direito de reclamar e cobrar do gestor público melhorias para a sua cidade. O voto não é uma carta em branco que autoriza o eleito a fazer o que quiser enquanto estiver no poder. Muito pelo contrário. É por isso que toda população precisa – sempre que necessário – reclamar do desleixo em que se encontra a sua cidade. Se os problemas existem, eles precisam ser solucionados pelo gestor público. Foi para isso que ele foi eleito e ponto.

E você, o que pensa sobre o assunto. Dê sua opinião.

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