Destaque nos noticiários brasileiros e ainda sem uma explicação séria e convincente, o rolezinho atrai a atenção de todos. Aliás, as notícias e comentários parecem atender ao ditado usado durante os grandes conflitos: “Em tempo de guerra, mentira é como terra.” Como, felizmente, não vivemos tempos de guerra aberta é provável que a divergência das informações observada deva-se a proximidade da eleição presidencial. Nem o mais arraigado pessimista, ou o fascinado pelas potências estrangeiras, nega o fato de que o povo antes restrito ao anonimato dos subúrbios agora ocupa ruidosamente lojas de automóveis e invade os saguões dos aeroportos. E não é mais só para observar o subir e descer das aeronaves. Sequer se cogita que os problemas do Brasil foram resolvidos, como atestam a baixa qualificação da mão-de-obra e os indicadores de qualidade na saúde e na educação, mas é impossível negar o avanço obtido. Uma conhecida revista semanal, que não é aquela conhecida por sua visão monocular, exemplifica bem a confusão reinante nos meios de informação. Na página 09 diz que “… as projeções de crescimento dos grandes países em desenvolvimento mostram o Brasil na rabeira, com 2,4 %. Devemos crescer mais apenas que Egito, Irã e um punhado de pequenas nações.”. Já na página 39, ao comentar a suposta pulada de cerca do presidente da França ao longo de 4 páginas, informa que o crescimento daquela nação européia ficou abaixo de 1%. No site da Deustche Welle(Voz da Alemanha) vê-se que a economia alemã, locomotiva da Europa unida, cresceu 0,7 % no ano de 2013. Observando-se o ir e vir dos carros e motos dos trabalhadores da construção civil e o movimento no comércio, parece que o povo não compartilha da visão negativa da economia brasileira apresentada pela imprensa. Quando necessita, o jovem prefere participar dos freqüentes feirões de oferta de empregos a ter que ir para a fila dos desempregados. E o rolezinho? Bem, este me parece que não é um movimento que vai permitir aos brasileiros antes confinados aos bares da periferia ter acesso pleno aos templos do consumo onde o sol nunca nasce e nem se põe, especialmente nos shopping’s de alto luxo. Para isso é preciso ter dinheiro no bolso e disposição de gastá-lo no shopping. Os rolezinhos são o recado de que os jovens não aceitam mais ficar limitados aos subúrbios onde moram e querem seu lugar na sociedade que evolui. O rumo que o povo aponta para 2014 fará os arautos do desastre iminente recolher suas trombetas. Ou, em um erro histórico, os brasileiros serão convencidos a acreditar que basta protestar por mudanças e tudo voltará a ser como sempre foi.

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo

 

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