Em Araucária, o último foco do mosquito Aedes aegypti foi registrado em 2004

Enquanto no Paraná a chuva, o calor e a falta de participação da comunidade só fazem aumentar a quantidade do mosquito Aedes aegypti e de casos de dengue, em Araucária a situação está sob controle. De acordo com a Coordenação de Endemias da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), este ano já foram confirmados 89 casos. Desses, 25 são “importados” e os outros 64 casos próprios.

Enquanto isso, no município foram registrados casos isolados da doença em 2006, mas todos vindos de fora, segundo informações da Vigilância Epidemiológica. Esse resultado é devido ao desempenho da Saúde, que realiza um trabalho ininterrupto durante todo o ano, com visitas nas residências, indústrias, comércio e outros locais onde possam existir foco do mosquito transmissor.

O coordenador da equipe de prevenção e controle da dengue da Vigilância Epidemiológica, Antônio Pestana, disse que no ano passado foram visitados cerca de 16 mil imóveis e coletadas e identificadas aproximadamente 7 mil larvas. “Nossa meta é orientar a população para eliminar possíveis criadouros domésticos e manter os quintais sempre limpos. Com isso, conseguimos fazer com que nossa cidade fique sempre de fora das estatísticas negativas”, explicou Pestana.

Ele comentou ainda que em breve a cidade vai ganhar um reforço no combate à dengue. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, desenvolveu um novo larvicida, o Bt-horus, uma arma biológica capaz de combater o mosquito transmissor da doença. “Esse larvicida não causa danos à saúde humana e ao meio ambiente”, concluiu.
Segundo o coordenador de Endemias da Sesa, José Francisco Konolsaisen, “apesar de todo o trabalho, não estamos conseguindo baixar o índice de infestação”. “Nunca o Paraná teve tanto mosquito como está tendo agora. Estamos apenas no início do ano, ainda teremos muito problema com a dengue no Estado”, alerta.

Francisco diz que a principal forma de conter a infestação é destruir os focos. Para isto, o que falta é, principalmente, a população entrar no circuito. “Esta semana choveu mais de 150 milímetros no norte e no oeste do Estado. Chuva e sol são o que o mosquito precisa. O índice de infestação está alto, principalmente pelas condições climáticas, mas a população – que precisa somente limpar as próprias residências – não ajuda”, lamenta. O maior problema, de acordo com o coordenador da Sesa, está nos vasos de plantas (que representam 50% dos criadouros) e nas águas dos animais.

Além de depender da atuação da comunidade, ele explica que o combate à dengue é uma ação tripartite. Porém, uma das partes não está cumprindo a incumbência. “O governo federal entra com os insumos. Ao Estado cabe o treinamento dos profissionais, o fornecimento de inseticidas e bombas e a supervisão, que é feita pelas 22 regionais capacitadas, doze delas nas áreas de risco da doença. Já ao município compete o aparato pessoal, ou seja, o trabalho em campo. No entanto, o que vemos é que em alguns municípios as equipes não estão completas (o ideal é que haja um agente para cada mil imóveis). Além disso, algumas cidades estão muito sujas, o que colabora para a proliferação da dengue”, afirma Konolsaisen.

Municípios
Os casos próprios da dengue estão espalhados por seis cidades do Paraná. A campeã em números confirmados da doença é Ubiratã, com 42 casos, segundo a Sesa. Em seguida, vêm Santa Helena, com 14 casos, Foz do Iguaçu, com sete, Maringá, com cinco, Santa Terezinha de Itaipu, com dois casos, e Londrina, com um.

Apesar de ter informado que há apenas 22 casos confirmados da doença, o Secretário de Saúde de Ubiratã, Edmund Behrend, já considera que há um surto de dengue no município. “Estamos preocupados. Já estamos mobilizados e na segunda vamos novamente chamar os líderes da comunidade, para que se empenhem no combate à doença. Temos que contar com cada um para que faça a sua parte”, afirma.

O secretário de Saúde de Santa Helena, Élder Boff, também informou um número menor de casos confirmados da dengue, apenas dez. Ele ainda não considera a hipótese de surto, mas diz que o município está sob vigilância. “Aqui no município, o índice de infestação está controlado”, completa.

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