Eu sei que há a versão impressa e a versão digital do jornal, mas admito que eu sou do tipo clássico, gosto de ler no papel mesmo. Por isso, só há pouco tempo, quando fui ao site do jornal buscar um link de uma coluna minha para enviar para um amigo, percebi que ao lado dos títulos das minhas crônicas há também uma seção de comentários e o número de visitas que cada texto já recebeu.

Fiquei maravilhado com essa tecnologia, claro. E, óbvio, empolgado: o que será que meus leitores têm comentado sobre o que eu escrevo? Mas fui do apogeu ao declínio em poucos segundos.

Só havia comentários em dois textos. Em um deles, um leitor muito corretamente me alerta que usei a terminologia errada para me referir a uma religião, erro pelo qual me desculpo. Já no outro, aliás no último, quando me posicionei publicamente sobre o segundo turno das eleições, o site recebeu uma enxurrada de comentários.

Enxurrada, claro, para os meus padrões. Foram quatro comentários. Um a favor da minha posição, dois contrários (que aliás muito me feriram moralmente ao levantar contra mim a falsa acusação de que sou petista) e um link, também favorável.

Na falta de mais comentários, passei então à análise dos números de visitas que cada coluna recebeu. Eu já esperava que houvesse um número diferente para cada texto, mas me surpreendeu o tamanho da diferença.

Começando por baixo, a crônica “Orra” foi a que recebeu menos visitas, foram 54 ao todo. Eu entendo, a palavra é feia, eu deveria ter escolhido outra. Confesso que eu mesmo, olhando pra ela depois de tê-la escrito, fiquei tentado a não ler a crônica novamente.

Depois vem uma série que alcançou de 80 a 130 visitas, e novamente me vejo impelido a concordar com o leitor, todas elas são realmente medianas. Na série de 150 a 300 visualizações estão textos que gosto muito, como “Rael”, possivelmente o que mais me deixou feliz por ter escrito, de tudo que já escrevi. E esse é o teto, trezentas e poucas visitas aos textos mais visitados.

Exceto por um, que destoa de todo o grupo de uma maneira curiosa. Com 1865 visitas, a crônica “As Putas do Santa Regina” é de longe a grande vitória desta coluna em termos de público.

Considerando que a visita é contada a partir do momento em que se clica sobre o título do texto, presumo que seja justamente esse, o título, o fator mais relevante para atrair a atenção daquele que está por ali, no site, passeando entre uma notícia e outra, um crime aqui, uma notinha política ali, uma puta do Santa Regina acolá, e está lá o sujeito bem informado sobre o que se passa na cidade.

Diante disso, caro leitor, prometo que entendi o clamor popular. Não entendi o motivo de esse assunto chamar tanta atenção, mas, a partir de agora, vou passar a falar muito mais sobre o Jardim Santa Regina.

Publicado na edição 1137 – 01/11/18

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