Já era noite quando, dia desses, minha namorada me perguntou se já havia lido O Maravilhoso Mágico de Oz, do escritor norte americano Lyman Frank Baum. Respondi que sim, mas há vários anos. Ela então me sugeriu que fizesse uma analogia entre as aventuras vividas pela pequena Dorothy e a minha busca por uma Araucária melhor. Confesso que num primeiro momento não consegui fazer a ligação entre uma coisa e outra, mas prometi que pensaria na ideia e fui dormir.

No meio da noite, acordei com uma terrível dor de cabeça, tudo estava girando, minha vista estava embaçada. Olhei pela janela e reparei que estava chovendo e ventava muito. Minha cabeça doeu mais. Levantei e corri para o NIS. Quando estava me aproximando do 24 horas, o vento soprou mais alto, ouvi um barulho estranho e, quando olhei para cima, o teto do Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas (Cemo) estava se despregando do telhado. Senti medo, olhei de novo e a cobertura inteira do Cemo estava vindo em minha direção. Fechei os olhos, senti tudo rodopiar. Agradeci a Deus o período em que ele me manteve encarnado e relaxei.

Acordei algum tempo depois, não sei quanto tempo depois, com um cachorrinho lambendo meu rosto. Esfreguei os olhos, virei para o lado e lá estava o telhado do Cemo, uma imensa armação em zinco que – aparentemente – havia caído sobre uma casa. Corri para ver se havia alguém ferido. E horrorizado, reparei que parte da construção havia atravessado o corpo de uma velha senhora.

Não tive tempo de lamentar mais, pois minha atenção foi desviada pelos latidos do cãozinho. Olhei para o bichinho e reparei que ele não estava mais só. Ao seu lado, estava uma garota e três criaturas estranhas. Assustei-me! E meio gaguejando perguntei: “quem são vocês, ou melhor, o que são vocês?”

A garota deu um passo à frente e disse: “Olá, meu nome é Dorothy, este é o meu cãozinho, o Totó e eles – disse apontando os seres estranhos – são Espantalho, Homem de Lata e o Leão Covarde”.

Gritei: “Valha-me Deus! Onde estou?”. E fui prontamente respondido: “Ora, você está na terra de Oz, mais precisamente na cidade da malvada Bruxa do Oeste, a quem viemos destruir”, disse o Leão Covarde.

Dorothy então tomou a palavra novamente e colocou-me a par de toda a história e acrescentou: “olha, todos nós aqui iniciamos essa jornada atrás de algum objetivo. O Espantalho quer um cérebro! O Homem de Lata quer um coração. O Leão Covarde quer valentia, coragem. E eu e o Totó queremos voltar pra casa. E você, o que quer, forasteiro?” Pensei por alguns segundos e respondi: “Bem, eu quero um prefeito decente para minha cidade!”

“É, forasteiro, sua busca é mais difícil do que a nossa. Mas, talvez, o poderoso Mágico de Oz possa te ajudar. Assim como prometeu fazer conosco. Para isso, no entanto, precisávamos acabar com a malvada Bruxa do Oeste, tarefa que aquele telhado já se encarregou de executar”, disse, apontando para o local onde estava a velhinha atravessada por uma folha de zinco.

Reuni-me à caravana e fomos ao encontro do mágico. Chegando à Terra de Oz descobrimos que ele era um farsante e que pouco poderia fazer por nós. No entanto, o velho ainda conseguiu satisfazer aos desejos do Espantalho, a quem deu um diploma universitário; ao Homem de Lata, que recebeu um coração, e ao Leão Covarde, que ganhou uma medalha de bravura. Eu e Dorothy, porém, ficamos a ver navios e decidimos pedir ajudar a bruxa boa do Norte. Caminhamos um bom tanto para encontra-lá e, quando finalmente conseguimos, ela nos informou que poderia realizar apenas o desejo de Dorothy.

“O seu pedido, Waldiclei, é mais complexo. Um prefeito decente não se acha fácil por aí. Além do mais, não basta somente você querer um político assim. É preciso que toda a sua cidade queira. O que posso fazer pra te ajudar é levá-lo novamente pra casa para que você continue buscando conscientizar as pessoas de que seu município precisa de alguém competente, honesto e preocupado com a qualidade de vida de todos. Vá, Waldiclei, e continue a sua missão…”, disse a bruxa boa, e eu senti tudo no meu entorno girar…

De repente, abri os olhos assustado. Estava de novo em minha cama. Sentei e pensei: “que sonho louco”.
E vocês, amigos leitores, já tiveram algum sonho louco assim? Deixem seus comentários! Até semana que vem e Feliz Páscoa a todos!

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