Araucária é uma cidade que acolhe a todos de braços abertos. Uma cidade que agrega culturas de diferentes povos. Uma cidade que parece ter sido feita para quem está começando de novo. E isso se comprova pelo crescente número de emigrantes que chegam aqui buscando oportunidades de trabalho, melhor atendimento em saúde, educação digna para os filhos, e um lugar tranquilo para viver.

136 anos: Emigrantes celebram aniversário de 136 anos da cidade e são gratos pelo acolhimento

Cidades acolhedoras são atrativas, e além de abrigarem uma variedade de habitantes de diferentes nacionalidades, costumam ter uma mentalidade mais aberta e receptiva. Assim é Araucária!
Recomeçar a vida em uma nova cidade, especialmente em outro país, pode ser uma experiência desafiadora. Por isso, a receptividade da população é um dos fatores que facilitam a adaptação dos recém-chegados.

Nos últimos anos, Araucária recebeu inúmeros emigrantes, de países como a Haiti, Bolívia, Cuba e, principalmente, da Venezuela. São eles que nos contam nesta reportagem, os motivos que os levaram a deixar seus países de origem e como foram recebidos pelos araucarienses.

136 anos: Emigrantes celebram aniversário de 136 anos da cidade e são gratos pelo acolhimento

Milioner Deisme, de 50 anos, saiu do Haiti e veio para o Brasil, passando primeiramente por São Paulo, depois Curitiba, até chegar em Araucária, em 2022. Ele veio sozinho, era solteiro, mas deixou um filho no seu país de origem e outros seis na República Dominicana. “Vim para o Brasil em busca de uma vida melhor. No começo tive dificuldades porque não falava a língua portuguesa, ainda assim, fui muito bem recebido por esta cidade. Graças a Deus, aos poucos, fui conseguindo me comunicar melhor e todos sempre me trataram muito bem, não tenho do que reclamar”, comenta.

O novo morador do bairro Capela Velha hoje trabalha em um posto de gasolina na cidade e afirma que gostou tanto de Araucária que não pretende sair mais. “Com grande alegria celebro mais um aniversário de Araucária, minha cidade do coração. A cidade ideal, a qual considero nota dez”, declara Milioner.

136 anos: Emigrantes celebram aniversário de 136 anos da cidade e são gratos pelo acolhimento

Também vindo do Haiti, Steeve Figaro, de 34 anos, chegou ao Brasil em 2023, passando igualmente por São Paulo, Curitiba, até chegar a Araucária. “Optei por vir para o Brasil para ter mais estabilidade financeira e crescimento. Escolhi Araucária para viver por ser uma cidade segura, linda, limpa e por oferecer várias oportunidades. Cheguei aqui sozinho e hoje moro com minha irmã, no bairro Costeira”, disse.

O motorista de aplicativo e microempresário Steeve elogia a maneira como foi bem acolhido pela cidade. “Araucária me recebeu de braços abertos, e isso facilitou minha vida quando cheguei. Hoje falo cinco idiomas diferentes, o haitiano (creole), francês, espanhol, inglês, e o português, que aprendi fazendo o curso que o Colégio Szymanski oferece aos estrangeiros, o PFOL – Português para Falantes de Outros Idiomas, o que me ajudou muito”, conta.

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De Cuba veio Yusimi Cabrera Gonzalez, 40 anos. Ela chegou em Roraima em 2024, ficou uma semana até se mudar para Curitiba e logo em seguida para Araucária, onde alugou uma casa no bairro Campina da Barra. Yusimi conta que seu país enfrentava uma crise social, política e econômica, por isso decidiu vir para o Brasil em busca de uma vida melhor, ao lado do marido e do filho.

“Adoro Araucária, seu povo é maravilhoso. Contraí malária durante a viagem do meu país para cá e fiquei internada por três meses no Hospital Municipal de Araucária. Toda a equipe foi maravilhosa, eles salvaram minha vida. Ainda estou me recuperando. Essa foi a maior dificuldade que enfrentei na minha chegada”, relata.

A cubana destaca como fatos positivos que encontrou em Araucária a liberdade de expressão, assistência médica gratuita, com tudo o que é necessário para atender a população, escolas públicas com funcionários maravilhosos, variedade de oportunidades de emprego. “Também é muito importante destacar os direitos que eles garantem aos emigrantes, os mercados com tudo o que você precisa e muitas outras coisas. Ainda não consegui trabalhar devido à minha saúde, tenho uma traqueostomia, mas espero poder começar em breve. Sigo recebendo cuidados de saúde. A educação daqui também é ótima, meu filho é adolescente, estuda e trabalha no programa Jovem Aprendiz”, elogia.

Yusimi disse que está apaixonada por Araucária e pretende morar aqui para sempre. “Quando puder terei minha própria casa aqui e abrirei meu negócio também. É uma cidade maravilhosa que eu amo muito, e seu povo é maravilhoso”.

Wilkenson Datilus, 43 anos, é mais um dos haitianos que encontraram em Araucária um lugar melhor para se viver. Will já se considera um brasileiro, está no país desde 2014. Em Araucária chegou há quatro anos, sem conhecer ninguém, sendo esta a principal dificuldade que enfrentou no início. “Hoje tenho esposa e filho e também trouxe minha mãe para cá, ela é cadeirante. Saí do Haiti porque não tinha empregos, hospitais, medicamentos, comida e havia muita violência”, descreve.

Morador do bairro Capela Velha, Will agradece a cidade pela receptividade. Diz que veio para trabalhar e somar, e não apenas para se beneficiar dos programas sociais que o país oferece. “Quem quer comer, tem que trabalhar e o Brasil tem muitas oportunidades. Gosto muito de Araucária e não quero sair daqui nunca”, afirma.

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A venezuelana Marisela Del Valle Parra Sanabria, 37 anos, desembarcou em Roraima em 2019, depois foi morar em Santa Catarina e no ano passado mudou-se para Araucária. Ela mora no bairro Costeira e buscou o Brasil devido à situação econômica pela qual passava seu país de origem. Marisela também procurava uma educação melhor para os filhos. “Vim para o Brasil com meu marido e três filhos, mesmo com o coração partido por ter deixado meus pais na Venezuela”.

Para Marisela, os brasileiros são muito acolhedores e o país oferece condições incríveis para quem busca uma vida melhor. “Aqui já consegui trabalho, sou merendeira de uma empresa. E em tudo que precisei da cidade, tanto na saúde quanto na educação, fui bem atendida. Recentemente, trouxe minha mãe Maria Del Valle Sanabria Rodríguez, de 69 anos, para cá, para cuidar da saúde. Ela está fazendo tratamento contra um câncer de mama”, conta.

“Agradeço a Deus por me dar a oportunidade de estar aqui nessa cidade, e agradeço pelo meu emprego, isso me motiva a continuar em frente. Que Deus continue abençoando Araucária!”

136 anos: Emigrantes celebram aniversário de 136 anos da cidade e são gratos pelo acolhimento

Carmen Mata tem 42 anos e é venezuelana. Está em Araucária há somente quatro meses. Mora no bairro Tindiquera, com seus três filhos, e veio para cá em busca de oportunidades. “O Brasil é um país com muitas regras, e eu gosto disso, gosto dos seus costumes. As pessoas são muito gentis e boas. É um país que nos apoiou muito. Araucária é um lugar tranquilo, e sou grata a quem me recomendou a cidade”, agradece.

Ainda se arriscando na língua português, Carmen diz que se frustra por ainda não conseguir se comunicar muito bem com as pessoas. “Às vezes não consigo me expressar da forma como gostaria e talvez por isso ainda não tenha conseguido um emprego estável. Mas sei que aqui no Brasil as oportunidades existem e logo vou me estabelecer melhor”, acredita.

Em Araucária ela conta que recebeu muita ajuda, e através de programas sociais conseguiu bancar alguns meses de aluguel e se manter até encontrar um trabalho temporário. “Estamos progredindo aos poucos e quero me estabelecer neste país pelo tempo que Deus permitir. Reconheço a importância de Araucária na minha vida!”

136 anos: Emigrantes celebram aniversário de 136 anos da cidade e são gratos pelo acolhimento

Morador do bairro Boqueirão, Jorge David Madronero Solorzano, 33 anos, veio da Venezuela e está em Araucária desde 2021. Aqui conheceu a esposa brasileira Audrey, e formou uma família mista – os dois tinham filhos de outros relacionamentos. “Primeiramente vim para o Brasil com meu pai e meu irmão, depois conheci minha esposa, e então trouxe meu filho venezuelano de 12 anos. Eu vim para o Brasil em busca de condições melhores e especialmente para Araucária quando conheci a Audrey. Aqui fui muito bem recebido”, conta.

A diferença cultural, falar o idioma do país que o acolheu e encontrar um emprego foram as dificuldades que enfrentou no início. “Hoje trabalho no ramo madeireiro, mas aqui no Brasil é tudo mais prático e menos burocrático. Agradeço por Araucária ter me acolhido e me ajudado a recomeçar”, afirma Jorge.

136 anos: Emigrantes celebram aniversário de 136 anos da cidade e são gratos pelo acolhimento

Zamanta Fernández Velasco, 36 anos, veio da Bolívia e mora no bairro Campina da Barra. A assistência à saúde foi o que a motivou a apostar no país brasileiro. “Sofro de artrite reumatoide e faço um tratamento delicado. Aqui eu também vi que minha família teria boas oportunidades. Viemos em seis pessoas e fomos muito bem recebidos, os araucarienses são pessoas muito gentis e caridosas”, afirma.

A boliviana diz que ficou encantada com a cultura brasileira, e com o respeito com que as pessoas lhe tratam. Apesar de ainda não ter conseguido um emprego, porque pensa em focar primeiramente no seu tratamento, Zamanta pensa em se firmar e permanecer em Araucária. “Parabéns, Araucária! Que o aniversário da cidade traga ainda mais progresso e alegria para todos os seus moradores e que continuem a crescer com a beleza de suas árvores”.

Edição n.º 1502. Edição Especial – Aniversário de Araucária: 136 anos