A escola que conhecemos hoje passou por muitas transformações ao longo dos anos. Mas o que nunca muda são as memórias vívidas que carregamos da nossa própria experiência escolar. Quem é que não gosta de relembrar os primeiros anos da escola, a primeira professora, os colegas daqueles tempos?

Embora a idade pese e muitos guardem poucas lembranças, ainda fazem questão de sempre contá-las. E é neste texto que pretende resgatar as memórias mais remotas do Colégio Estadual Professor Júlio Szymanski, que trazemos depoimentos emocionados de dois ex-alunos da instituição.

Albanor José Ferreira Gomes (Zezé), 80 anos, que foi prefeito de Araucária por três gestões e hoje está aposentado, é um desses alunos. Ele começa nos relatando que na sua época escolar ainda não existia o Szymanski e Araucária não tinha ginásio, que antigamente atendia da 5ª até a 8ª série. Fiz o jardim de infância e os quatro anos do primário no grupo escolar Dias da Rocha. E como não tinha ginásio aqui, tive que continuar os estudos em Curitiba, assim como muitos da cidade”, relembra.

Um fato curioso daquela época, que Zezé menciona, era a exigência do exame de admissão para ingresso no ginásio, o que hoje já não existe mais, pelo menos na maioria dos colégios. “Fiz o exame no colégio Bom Jesus em Curitiba. Para minha sorte, em 1956 o governo aprovou a criação do ginásio aqui em Araucária, então consegui fazer os outros três anos no ginasial que foi aberto no Dias da Rocha. Era uma turma bem pequena, que funcionava nesse imóvel que pertencia ao governo do Estado, eu entrei no segundo ano e meu irmão, que é um ano mais novo do que eu, entrou no primeiro ano”, recorda.

Ele acrescenta que seu pai era gerente do Banco do Estado Paraná – Banestado que funcionava em Araucária, e por isso fazia parte do grupo político da cidade, o qual conseguiu junto ao então governador Moysés Lupion, implantar o ginásio em Araucária.

136 anos: Uma vez aluno, para sempre aluno do Colégio Szymanski!
O ex-prefeito Zezé mostra com orgulho o quadro de formatura da turma

Entre os fatos que se recorda do ginásio, cita a aula de latim com o professor Dr Amur Ferreira, que é médico. Dr Amur também era professor de ciências. Aurora Pizzato Ferreira era professora de música. “Dr Amur e dona Aurora são meus tios. Lembro que existiam apenas quatro professores, que ministravam todas as aulas. E tinha o professor Estevão, que vinha todos os dias de Curitiba, ele nos dava aula de Matemática. Outros professores vinham de Curitiba”, conta.

No seu arquivo pessoal de memórias, Zezé ainda guarda o convite do seu baile de colação de grau no Ginásio Estadual de Araucária, no ano de 1959. “Foi um momento histórico. A chegada do ginásio representou muito para os estudantes da cidade, que tinham a oportunidade de seguir com os estudos aqui. E acabava aquela rotina de todo dia, às 6h30, pegarmos o ônibus que passava na praça para ir até Curitiba. Eu tinha 12 anos nessa época. O ônibus parava na Praça Rui Barbosa, onde ficava o colégio. Saíamos ao meio dia e chegávamos em casa quase uma hora da tarde. Não era um ônibus exclusivo para estudantes, muitos trabalhadores o utilizavam para ir à capital”, diz.

A convivência com os amigos e amigas e a conquista do ginásio estadual na cidade são momentos que Zezé afirma não esquecer jamais. “Lembro que lá no prédio do Dias da Rocha existia um pátio pequeno, e a gente jogava bola ali mesmo, entre os demais alunos. Eram poucas turmas e todo mundo se conhecia, todos filhos de famílias de Araucária. Os professores assumiam as aulas pelas suas habilidades. Minha tia, por exemplo, sabia muito de piano e foi convidada a dar aulas de música. Hoje é diferente, existem as formações específicas e os concursos para que os professores assumam as disciplinas”, compara.

Depois de concluir o ginásio no Dias da Rocha, Zezé voltou a estudar em Curitiba, dessa vez para cursar Contabilidade e Administração na Escola Técnica de Comércio Novo Ateneu. Na sequência também cursou Direito.

“Participar da história do Szymanski desde o começo me traz muita alegria. Tive tantos amigos com os quais brincava na praça, jogava bola em um espaço grande que havia lá, bem diferente do que vimos hoje. Todo mundo estudava junto, havia muita amizade e companheirismo. A cidade cresceu, como um todo, e posso dizer que fiz parte desse crescimento. Comemorar os 70 anos do Szymanski é como voltarmos ao passado, com a satisfação de termos vivido tudo isso. Sim, porque todo aluno deve valorizar o colégio onde estudou”, declara Zezé.

Professora aposentada do Estado, Anadir Mueller, 79 anos, fez o Magistério no Colégio Szymanski entre os anos de 1964 e 1966. Ela lembra que naquela época, o colégio tinha uma estrutura bem mais simples do que a atual. Funcionava em apenas um prédio, sem recursos tecnológicos. As aulas de Educação Física eram realizadas no pátio, onde os alunos se organizavam em filas para fazer os exercícios. Não existiam computadores e nem impressoras – as atividades e cópias eram reproduzidas no mimeógrafo, e as pesquisas escolares eram feitas exclusivamente na biblioteca.

“O ambiente era marcado por muita disciplina e respeito, especialmente na relação entre alunos e professores, algo muito presente no cotidiano escolar daquela época”, recorda.

Anadir seguiu carreira no Magistério, foi professora por dois anos na Escola Estadual Professora Maria Luiza Guimarães, no bairro Estação, e posteriormente foi convidada para trabalhar no Departamento de Educação da Prefeitura de Araucária, atualmente Secretaria de Educação, onde ficou por 20 anos até concluir seu tempo de serviço no Colégio Sagrado Coração de Jesus de Araucária.

“Meus filhos também estudaram no Colégio Professor Júlio Szymanski. Um filho fez o ensino médio, uma filha formou-se em Contabilidade e a outra filha em Formação de Docentes (Magistério). Só tenho boas lembranças desse Colégio, dos professores que se dedicavam ao nosso ensinamento e das minhas colegas de curso, que deixaram saudades. Ver este Colégio celebrar mais um aniversário é motivo de grande alegria e orgulho. Que sua história continue sendo escrita com dedicação, compromisso e amor pela educação, formando gerações e transformando vidas. Meus parabéns a todos que fazem e fizeram parte dessa trajetória tão importante para nossa cidade”, declara Anadir.

Edição n.º 1502. Edição Especial – Aniversário de Araucária: 136 anos