O Carnaval é tempo de cultura popular, de rir alto, dançar com liberdade e celebrar a vida. Mas, no meio da festa, um problema antigo ainda se mistura à folia: a violência contra mulheres, muitas vezes disfarçada de “brincadeira” ou “exagero de Carnaval”.

Todos os anos, os relatos se repetem: mãos que tocam sem permissão, beijos forçados, comentários obscenos, abordagens insistentes mesmo após a recusa. Não há desculpa para esse comportamento, majoritariamente praticado por homens. Importunação sexual é crime. O ambiente festivo não suspende direitos nem transforma desrespeito em paquera. Fantasia não é convite. Bebida não é autorização. Dança não é consentimento.

É preciso reforçar: o corpo da mulher não é espaço público. O consentimento deve ser claro, livre e pode ser retirado a qualquer momento. Se não há um “sim”, há um limite – e limite existe para ser respeitado.

O assédio também aparece na pressão, na perseguição e na intimidação. A insistência após a negativa, o cercamento na multidão e a tentativa de afastar a mulher de seu grupo são sinais de alerta. Muitas relatam que, além do ato em si, o que mais marca é a sensação de vulnerabilidade em meio à aglomeração.

Falar de prevenção não é transferir responsabilidade a quem sofre a violência, mas ampliar a proteção coletiva. Circular em grupo, combinar pontos de encontro e observar rotas de saída são atitudes que ajudam. Ainda mais importante é a postura de quem está ao redor: testemunhas não são neutras.

Atenção, acolhimento e acionamento de ajuda podem interromper situações de risco.

Se a violência acontecer, a orientação é buscar apoio imediato com a organização do evento, seguranças ou policiais. Denunciar é fundamental para romper o ciclo de impunidade. Em Araucária, as denúncias podem ser feitas pelo 153, da Guarda Municipal, ou pelo 190, da Polícia Militar.

A violência contra a mulher não ocorre apenas no Carnaval, mas ao longo de todo o ano. Em Araucária, além do atendimento emergencial, o município conta com o CRAM — Centro de Referência de Atendimento à Mulher, que oferece acolhimento e orientação psicológica, social e jurídica às mulheres em situação de violência, fortalecendo a autonomia e o acesso a direitos.

O Carnaval deve ser território de liberdade. Mas liberdade só existe onde há respeito. A festa é de todos, mas o corpo de cada mulher, não.

Edição n.º 1502.