Se existe um espírito que não descansa — nem depois de atravessar o véu da morte — é o de uma mãe que ainda quer dar colo para um filho. Nesta semana aconteceu algo que atravessou meu peito e eu senti que não podia guardar só para mim. No ano passado, uma aluna muito amada, que vou chamar aqui de Maria, partiu de forma repentina. Um infarto. Dessas partidas que a gente chama de desígnio espiritual porque a mente humana não alcança o porquê. Como nós dois éramos iniciados no Candomblé, ela me chamava carinhosamente de “mano”. E mesmo depois de partir, ela me procurou. Não por ela. Pelos filhos.

A primeira vez foi urgente. Ela queria que eu avisasse à família que o filho tivesse cuidado ao volante. Havia um medo vibrando na energia dela. Eu entreguei o recado. A família confirmou: ele estava viajando naquele exato período. Mãe não descansa com filho na estrada. Nem viva. Nem morta.

Mas esta semana ela voltou. No sonho, não era bem um sonho… era como se estivéssemos num mesmo plano, observando o filho dela aqui, encarnado, vivendo a vida dele. Ela segurava um celular e tentava, com uma insistência quase aflita, escrever uma mensagem. Eu, meio lógico até no astral, disse: “Maria… aqui nessa dimensão não temos dedos. Como você vai escrever num smartphone?” E ela insistia. Tentava.

Forçava. Me mostrava a tela. E eu via do outro lado o filho recebendo a mensagem e chorando. Chorando como quem reconhece a letra da própria mãe.

Acordei cedo com o coração acelerado. Procurei a família. Instantes depois, o filho dela me liga. Eu conto o que aconteceu. E ele desabafa: “Evandro, quase todo dia eu tento falar com ela… a gente conversava tanto.” Foi ali que tudo se encaixou. Eu respirei fundo e disse: “Sua mãe queria tanto escrever, que ela me despertou para eu ser os dedos dela. Ela só queria que você soubesse que nunca vai deixar de estar ao seu lado.”

Tem amores que não se dissolvem na terra. O corpo pode voltar ao pó, mas o vínculo… o vínculo é energia. E energia não morre, apenas muda de plano. Ela ouve quando você fala. Ela sente quando você chora. Porque o amor de mãe não obedece à morte. Ele atravessa.

Eu achei isso tão forte que decidi compartilhar com você hoje. E agora eu te pergunto, com respeito e verdade: você já sentiu alguém que partiu se aproximar de você de alguma forma? Já teve um sonho que parecia mais visita do que imaginação? Me conta. Eu leio.

E compartilha este texto com aquela mãe ou aquele filho que precisa lembrar hoje que o amor nunca morre. Eu me chamo Evandro. E enquanto eu tiver voz, serei ponte quando o amor quiser virar mensagem. Que a luz que te conduz seja sempre a sua consciência.

Edição n.º 1502.