Neste tempo de feicebuques e outras redes sociais é comum observarmos as pessoas, às vezes até nós mesmos, repassando opiniões e julgamentos que não adotaríamos se refletíssemos melhor. Penso que é o chamado “efeito manada” a nos empurrar para a maioria ou pelo menos ao que parece que é mais contestador e inédito. Este comportamento pode ser observado também fora da rede mundial de computadores, pois a comunicação rápida é um fenômeno da atualidade. Até nós, que temos acesso à imprensa escrita, às vezes repetimos “verdades” que não traduzem o que realmente queremos expressar. Na recente visita que fiz à capital do estado de São Paulo, maior cidade do Brasil e destaque em cosmopolitismo e na pujança da economia, vivenciei esta situação. Estes últimos dois meses foram bastante intensos de convívio anônimo no meio da população, dentro de ônibus e na espera dos mesmos nos terminais de transporte público e tive oportunidade de ouvir muitas opiniões. Considero que a opinião dos amigos e parentes nem sempre é a mais sincera, porque ou eles concordam conosco para não nos magoar ou discordam por simples hábito. Nada me chamou tanto a atenção quanto a quase uniformidade das opiniões dos motoristas de táxi paulistas. Para estes, somente merece elogios a ex-prefeita que os beneficiou com a distribuição de licenças de trabalho o que demonstra a valoração prioritária do que lhes foi vantajoso no aspecto pessoal. É intrigante ouvir da boca de pessoas que precisaram migrar do lugar onde nasceram para a agitação da “Paulicéia Desvairada” a manifestação de revolta com o auxílio que seus parentes e antigos conterrâneos recebem dos programas sociais do governo. Consideram que o sul trabalha para que, principalmente no nordeste do Brasil de onde veio boa parte dos paulistas da capital, pessoas recebam Bolsa Família. Até tentei articular alguns questionamentos esclarecedores, como a redução das mortes pela fome e a diminuição da mortalidade infantil ou por doenças já erradicadas nos locais com maior qualidade de vida, mas não houve aceitação. Já na volta, tive oportunidade de ler no jornal Folha de São Paulo um artigo de Clóvis Rochas que diz o seguinte: “O governo, supostamente irresponsável, gasta menos do que arrecada e ainda pinga 1,3% de tudo que o país produz em bens e serviços na conta dos mais ricos(que aplicam em títulos da dívida pública) e apenas 0,4% na conta dos pobres entre os pobres(que recebem Bolsa Família). E os ricos ainda choram.” As afirmações do articulista foram feitas para tentar explicar porque os ricos falam tanto em crise e protestam com tanta veemência contra as ações que buscam impedir a miséria absoluta de parte da população. Minha conclusão é que, partindo do princípio de que Deus é realmente bom, a voz que ouvimos do povo que fala mais nem sempre é a Voz D’Ele.

Júlio Telesca Barbosa
Engenheiro Agrônomo

 

VEJA TAMBÉM

Compartilhe