Espécie já ganhou dois concursos e calcula-se que tenha mais de 500 anos; árvore fica em propriedade particular. Foto: Marco Charneski

EDIÇÃO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO – 132 ANOS

Ela tem a altura de um prédio de 22 andares e são necessárias pelo menos quatro pessoas para envolvê-la. Já ganhou o concurso de exemplar araucária mais antigo da região, e de acordo com seu proprietário, o agricultor Eduardo Ukan, 69 anos, especialistas dizem que tem pelo menos 500 anos. “Ela deve ter dado o primeiro pinhão depois do dilúvio”, brinca Ukan, que desde que se entende por gente, garante que o pinheiro já estava lá. “E também antes dos meus pais e dos meus avós”, diz.

O agricultor conta que na época em que seu pai fez a divisão da propriedade, os pinheirais da região estavam sendo derrubados para a fabricação de palitos de fósforos. “Hoje em dia não pode mais. Nem os nativos e nem os plantados”, lembra. A família preserva pelo menos 300 exemplares em dois dos treze alqueires da propriedade. Também planta hortaliças, mas para consumo próprio. Ukan e a mulher, Bernadete, já estão aposentados. O casal tem três filhas, Veridiana, Vanessa e Cátia Stefani, e um casal de netos.

Hoje, na propriedade, além do casal, a filha do meio, Vanessa, mora ao lado dos pais. Ukan conta que não existe nada melhor do que reunir a família debaixo das sombras das árvores, em particular aos domingos, depois do almoço. “Também é bom acordar com o canto dos sabiás”, afirma.

Sanfoneiro, o agricultor gosta mesmo é de festa. Mas com a pandemia, teve que se isolar. O casal faz parte do Centro de Convenções de Idosos e dele participava ativamente. “Quando a gente faltava, todo mundo ligava preocupado”, lembra. Ele tocava nos bailes organizados pelo Centro às segundas-feiras. Também era convidado para tocar em casamentos e bailes. Hoje toca apenas na capela. “Antes da pandemia a gente fazia apresentações. Sou muito alegre e extrovertido”, garante.

Filho de polonês com alemão e italiano, Ukan gosta de preservar os costumes da família. A polenta com salame também não falta na mesa. Na casa, construída metade em alvenaria e metade em madeira, as sestas costumam ser feitas à sombra dos pinheiros, ao som dos sabiás. “Não existe vida melhor”, garante.

Concurso

Por duas vezes, Ukan participou de concursos em que se escolhia o exemplar de araucária mais antigo da região. No primeiro, ganhou um telefone celular, um “presente de grego”, de acordo com ele. Era o início dos aparelhos no país e o telefone sorteado era daqueles que carregavam um mês e pulava o outro, o famoso pula-pula. “Os outros prêmios sorteados foram melhores do que o meu”, lembra.

O segundo concurso foi realizado na cidade de Contenda e foi mais organizado do que o primeiro. Foi lá que os especialistas avaliaram – pelo tamanho e circunferência da árvore – que ela tinha, no mínimo, 500 anos. “Lá o prêmio foi bom. Ganhei uma bicicleta”, conta. O concurso foi organizado pela Cooperativa Mista Bom Jesus da Lapa.

O pinheiro, segundo o agricultor, ainda produz frutos. Na safra, ele costuma limpar debaixo do pinheiral, para evitar o aparecimento de cobras. “É impressionante que apesar da idade, ele ainda produz. Aqui a produção é bem farta”, comemora.

Onde fica: Estrada da Lagoa Grande

Ponto de referência: Vila do Sossego

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